Informações: museudeartes.wordpress.com e (27) 3132-8390.
Entrada franca.
Este blog tem o objetivo de deixar a galera, que curte as diversas manifestações de arte, “antenada” com o que rola no mundo do cinema, música, teatro, literatura e afins. A partir de resenhas, críticas, artigos bem “sacados” e muitas dicas, levamos a todos que fazem parte dessa grande “panela cultural” um pouquinho do nosso ponto de vista sobre tudo o que acontece em nossa amada comunidade, no Brasil e no mundo. Nós temos um prazer enorme em receber a visita de vocês aqui. Deleitem-se!

A Galeria de Arte Casarão, em Viana sede, abriu a temporada 2012 com a exposição “Renascente”, do artista plástico Piatan Lube. Está é a terceira edição do Programa de Residência Artística “Mas que arte cabe numa cidade?” que já trouxe ao município os artistas Plásticos José Rufino e Josely Carvalho.
Dessa vez, o artista percorre sua exposição por caminhos de Renascente com intervenções artísticas conceituais, no espaço físico/paisagem urbana do município. A proposição artística de Piatan Lube aponta para particularidades na qual estão presentes as relações de ambientes, coexistências, memória e transformações.
O processo de residência do artista começou em agosto de 2011 e, desde então, Piatan tem se envolvido com o cotidiano da cidade e convivido com uma população rural de onde extraiu sua essência do trabalho tendo a água como elemento de ligação. Daí suas visitas constantes em locais onde há nascentes no município e ao trabalho de reflorestamento em torno dessas nascentes, sendo a memória da água como o simbolismo e o elo central.
“Estamos sempre esquecendo que as diversas matérias desse planeta possuem seus ciclos, seus percursos sobre a terra, e se renovam sempre como matéria simbólica quando atentamos para o fato de que, sobre elas, o tempo age construindo, às vezes de forma irrecuperável, sua história. A memória da água, esse talvez seja o tema, a lógica de tudo o que estamos vendo à nossa volta, as plantas que Piatan Lube propôs como ligadura entre o humano e este elemento vital como determinação de um lugar. A partir destes implantes, ao considerarmos quatros fontes, então quatro lugares, prefiro afirmar que estes se fazem compor num mesmo lugar, a fonte onde floresce a origem dessa idéia”, afirmou Mara Perpétua Banhos Pereira, coordenadora do Programa Educativo que será desenvolvido com o projeto.
No segundo andar, os visitantes são convidados a interagirem, respondendo a pergunta que é o eixo central da discussão dos visitantes e está afixada em uma das paredes, “O que te faz renascente?”.
Cada expectador é convidado a deixar registrado através de palavras, textos e/ou desenhos, suas impressões, histórias, afetos e desejos que são afixadas no espaço da sala. Uma grande mesa pintada de branco está posicionada no centro da sala e tem à disposição canetas de escrita fina ou grossa, de várias cores para uso das pessoas que queiram participar.
“É uma questão que parte de uma ação/intervenção coletiva para uma reflexão pessoal e subjetiva. Podemos relacionar a condição cíclica da água, com o ciclo da vida diária, das relações humanas e o nosso movimento constante de recomeçar, quase que diariamente, como sujeitos desejantes”, disse a coordenadora educativa.
“A obra não trata do replantio destas áreas, mas do que nesta vivência transcende a função destas futuras árvores; o plantio real dá-se na troca entre os seres envolvidos na tarefa de juntos, mentalmente, construírem esta nova hidrografia sentimental, na relação com o espaço agora constituído em lugar construído no ciclo do habitar”, disse Júlio Tigre, curador da exposição.
Piatan é morador da zona rural de Piapitangui, em Viana, já participou de exposições coletivas e foi contemplado no edital em 2008, com a 8ª Bienal do Mar-Caminho das Águas/ Vitória; Arte e Patrimônio 2009 - Caminho das águas/Vitória Florianópolis; Palácio Anchieta/Exposição coletiva “Transcendência” 2010/2011. Ele também foi selecionado no Edital de 2011 da Secult, com a concessão de prêmio para bolsa ateliê em Artes Visuais.
O programa de Residência Artística “Mas que arte cabe numa cidade?” tem como curadora Neusa Mendes. Logo após o início das atividades, o programa se consolidou como uma referência de movimento artístico no meio nacional e também no estrangeiro na modalidade de residência artística e intervenção urbana. Foi escolhido, em um conjunto de 10, para representar este continente no fórum internacional dos melhores projetos mundiais de arte pública de Xangai, a ser realizado neste mês de maio de 2012.
A exposição é uma realização da Prefeitura de Viana por meio da Secretaria Municipal de Cultura, Esporte e Turismo (SEMCET) com patrocínio da Secretaria Estadual de Cultura (SECULT) e do Instituto Sincades; apoio das caixas d’água Fortelev, do Instituto Capixaba de Pesquisa e Extensão Rural (INCAPER) e da Secretaria Estadual de Agricultura (SEAG),
O que é Residência Artística?
O conceito de Residência Artística é uma das formas mais características de apoio e incentivo ao desenvolvimento das artes. A partir dos 80 consolidou-se em várias cidades da Europa, Estados Unidos, Canadá e Japão. São projetos que têm como objetivo principal servir de residência temporária para artistas locais, nacionais e estrangeiros.
Neste intuito, a Semcet implantou no anexo da Galeria de Arte Casarão um espaço destinado a este público para que possa desenvolver projetos artísticos e trocas de experiências e conhecimentos com a comunidade local.
O anexo é amplo e foi totalmente reformado e mobiliado para oferecer a estrutura necessária para os residentes: segurança 24 horas e câmeras de vigilância, quarto, sala de convivência, pequena biblioteca, cozinha e uma grande sala no último andar da galeria para a produção e armazenamento de trabalhos.
A primeira edição aconteceu em janeiro de 2010 tendo como convidado o artista plástico José Rufino que explorou Arte e Patrimônio. Em fevereiro de 2011, veio a artista plástica Josely Carvalho que se aprofundou no tema “Que Cheiros Guardam Memórias de Uma Cidade?”.
O Programa de Residência Artística foi aprovado no Edital da Secretaria Estadual de Cultura SECULT por meio do Edital 11 Ateliê de Arte Contemporânea de 2011 - Seleção de projetos culturais e concessão de prêmios para bolsa atelier em artes visuais.
FIQUEI LIGADO
Programa: Residência Artística de Viana
Exposição: Renascente
Artista: Piatan Lube
Visitação Pública: A partir de 9 de maio – de terça à sexta-feira
Horário: das 10 às 18 horas
Entrada: Franca
Local: Galeria de Arte Casarão – Viana sede

Confira a ótima programação do Cine Jardins (01 a 07/06):
- A Dançarina e o Ladrão (Espanha, 2009 – 127 min.) - ESTRÉIA
Romance/Drama – Classificação 14 anos – todos os dias – 21h15.
O filme espanhol "A Dançarina e o Ladrão", do diretor Fernando Trueba, concorreu ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, além de nove indicações aos Prêmios Goya, incluindo melhor filme, diretor e ator coadjuvante para o argentino Ricardo Darín. Com o advento da democracia, o presidente do Chile decreta anistia geral para todos os presos. Entre eles estão o jovem Ángel Santiago (Abel Ayala) e o veterano Vergara Grey (Ricardo Darín), famoso ladrão de caixa-forte. Os dois têm planos muitos opostos: enquanto Grey quer apenas recuperar sua família, o rapaz pensa em dar um grande golpe. No caminho da dupla aparece outra jovem, Victoria (Miranda Bodenhöfer), que transforma a vida dos dois.
Nota do Jornal O Globo (crítico Érico Reis): * * * * (Ótimo)
- Sete Dias Com Marilyn (Inglaterra/EUA – 99 min.) - ESTRÉIA
Romance/Drama – Classificação 14 anos – todos os dias – 19h20.
A musa Marilyn Monroe (Michelle Williams) está em Londres pela primeira vez para filmar O Príncipe Encantado. Colin Clark (Eddie Redmayne), o jovem assistente do prestigiado cineasta e ator Laurence Olivier (Kenneth Branagh), sonha apenas em se tornar um diretor de cinema, mas logo viverá um romance com a mulher mais sexy do mundo. O que começa como uma aventura amorosa mudará a vida do ainda inocente Colin e revelará uma das várias facetas de um dos maiores mitos do século XX. A atuação de Michelle Willians carrega tanta naturalidade que lhe valeu indicação ao Oscar de Melhor Atriz e produz no espectador uma deliciosa sensação do que era estar frente a frente com o carisma de Monroe.
Nota do Jornal O Globo (crítico Carlos Helí de Almeida): * * * * (Ótimo)
- Shame (Reino Unido, 2011 – 101 min.)
Drama – Classificação 16 anos – todos os dias – 17h20.
O diretor britânico Steve Mcqueen (homônimo do ator americano morto na década de 80) em seu primeiro longa, “Hunger”, revelou o talento de Michael Fassbender (“Um Método Perigoso”) e arrecadou importantes prêmios no BAFTA 2009 e no Festival de Cannes do mesmo ano. Em “Shame” que em português seria “Vergonha”, Michael Fassbender interpreta Brandon, um executivo bem sucedido, que reprime fortemente seus sentimentos e é viciado em sexo, mas cujas breves relações traduzem sua personalidade metódica e enclausurada. A chegada de sua irmã Sissy (Carey Mulligan), completamente instável e expansiva colocará Brandon em crise com tudo em que se baseia sua vida. As atuações são excelentes e o grau de intensidade dado ao personagem por Fassbinder prende a atenção à narrativa, que é marcada pela esterilidade em contraposição ao excesso de nudez e sexo e pela inquietude emocional em oposição ao devir das personagens.
Nota do Jornal O Globo (crítico Rodrigo Fonseca): * * * * * (Excelente)
- Piratas Pirados! (Inglaterra/EUA, 2012 – 88 min.)
Aventura/Infantil – Dublado 2D – Livre – Sábado e Domingo – 15h30.
Matinê Cine Jardins: todos pagam meia nesta sessão!
O pirata Capitão é um aventuresco, embora nem sempre bem-sucedido, terror dos Sete Mares. Seu sonho: derrotar Black Bellamy e Cutlass Liz e levar o troféu de Pirata do Ano. Para conseguir, Capitão vai com sua tripulação da exótica Ilha de Sangue às ruas da Londres vitoriana, batalhando contra a Rainha Vitória e com a preciosa ajuda do jovem Charles Darwin.
Do mesmo diretor de “A Fuga das Galinhas” e do estúdio que realizou o premiado “Wallace e Gromit”.
- Raul – O início, o fim e o meio (Brasil, 2010 – 115 min.)
Documentário – Classificação 12 anos – todos os dias – 17h00 / 21h15.
A trajetória da lenda do rock Raul Seixas por meio de imagens raras de arquivo, encontros com familiares, conversas com artistas, produtores e amigos. Mostra como o compositor e cantor "Maluco Beleza" se tornou um dos pioneiros desse ritmo musical no país, com 21 discos lançados e grandes músicas de sucesso que, até hoje, continuam a ser tocadas e relançadas. Melhor Documentário pelo júri Itamary e pelo público da 35ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo.
Nota do Jornal O Globo (crítico Marcelo Janot): * * * * * (Excelente)
- Jovens Adultos (EUA, 2011 – 94 min.)
Comédia/Drama – Classificação 14 anos – todos os dias – 19h20.
Divorciada, a escritora Mavis Gary (Charlize Theron) retorna para sua cidade natal no estado de Minnesota, nos Estados Unidos, disposta a reconquistar seu ex-namorado, Buddy Slade (Patrick Wilson). Acontece que ele, atualmente, está casado com Beth (Elizabeth Reaser) e acaba de ganhar uma filha. Mesmo assim, Mavis não desiste e se reencontra com a rotina do colégio, passando a agir como uma adolescente.
Nota do Jornal O Globo (crítico André Miranda): * * * (Bom)
- O Lórax: Em Busca da Trúfula Perdida (EUA, 2012 – 94 min.)
Aventura/Infantil – Dublado 2D – Livre – Sábado e Domingo – 15h10.
Matinê Cine Jardins: todos pagam meia nesta sessão!
Adaptação do livro infantil escrito por Dr. Seuss (o mesmo de "O Grinch") sobre uma criatura que vive num bosque e simboliza o eterno poder da esperança. Na história, um menino está à procura do único objeto capaz de aproximá-lo da garota de seus sonhos. Para encontrá-lo, no entanto, deverá descobrir antes a história de Lorax, uma encantadora e ao mesmo tempo mal humorada criatura que luta para proteger um mundo em vias de extinção. Dos criadores de “Meu Malvado Favorito”.
SERVIÇO
Cine Jardins (Shopping Jardins). Rua Carlos Eduardo Monteiro de Lemos, 262, Jardim da Penha, Vitória/ES, CEP 29.016-120. (27) 3026-8099 (14h-21h).

O Museu de Arte do Espítrito Santo (MAES) juntamente com a Curadoria Educativa da exposição Meditações Extravagantes, do artista Nenna, realiza nesta terça-feira (05), às 19 horas, mais uma roda de Conversa, dessa vez sobre o tema "Dinâmica Interna: convivência e reorganização da cidade brasileira".
A artista Graziela Kunsch e a arquiteta Mariana Fix irão debater o papel do cidadão na organização da cidade brasileira, que é apresentada como palco para um sujeito ativo politicamente, em especial, por meio da arte. O encontro será realizado no auditório do museu às 19h e a entrada é franca.
As convidadas
Graziela Kunsch é integrante do Núcleo Performático Subterrânea. Em sua palestra, Graziela deve abordar a noção de produção do espaço ou, mais apropriadamente, de produção de contra-espaços por meio de projetos artísticos seus e de outros artistas e arquitetos.
Mariana Fix é graduada em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, tem mestrado em Sociologia pela Universidade de São Paulo e doutorado pelo Instituto de Economia da Unicamp e é professora no departamento de Design das Faculdades de Campinas desde 2005.
Serviço:
Roda de Conversa com Mariana Fix e Graziela Kunsch
Local: Auditório do Maes
Horário: 19h às 21h30min
Data: 05/06/12
Endereço: Avenida Jerônimo da Monteiro, 631, Centro – Vitória-ES
Telefones: 27 3132-8393 | 3132-8390
*Exposição Meditações Extravagantes - Nenna
Local: Museu de Arte do Espírito Santo Dionísio Del Santo (MAES)
Horários de visitação:
Terças-feiras, quintas-feiras e sextas-feiras, das 10h às 18h
Quartas-feiras, das 10h às 21h
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h
Data: de 20 de abril a 22 de julho
Entrada: gratuita
Visitas agendadas: http://museudeartes.wordpress.com/
Francisco Grijó nasceu em Vitória-ES em 1962. É professor, escritor, contista, romancista e poeta. Criador do Blog IPSIS LITTERIS, escreve diariamente sobre “Livros, Música, Cinema & Afinidades”. Confira, abaixo, a entrevista com o autor:
1 – Olá, Grijó. Primeiramente, como surgiu sua paixão pelas artes?
Resposta: Não sei se posso me julgar um “apaixonado” pelas artes. Admiro-as, assim como admiro aqueles que a praticam. Essa admiração não me foi estimulada na infância ou na adolescência, embora meus pais apreciassem a música e o cinema. Não me recordo de essa admiração ter brotado de uma situação específica. Simplesmente apareceu – e a música se tornou o grande objeto de atenção. A literatura e o cinema vieram num contrapeso. E, claro, consumi os quadrinhos – principalmente aqueles em que os super-heróis eram as estrelas – com muita devoção. Eles me levaram a apreciar, hoje, a pintura.
2 – A escrita foi sua primeira paixão? O que você lia quando jovem? Quem lhe inspirou?
Resposta: A primeira “paixão” – chamemos assim, então – foram os quadrinhos. A literatura veio na juventude. Não fui um grande leitor até a adolescência. As peladas, o futebol de botão e os gibis eram muito mais interessantes, e consumidos numa velocidade que a literatura não permitia. Aos 18, por aí, comecei a me interessar, de fato, pela ficção. Li, naturalmente, algumas obras de Conan Doyle - contos sobre boxe, sobre guerra e algo de Sherlock Holmes –, alguns textos de Jules Verne, Jorge Amado e Graciliano (que não me agradava muito). Hoje, agrada. Depois, já no curso de Letras, e através de algumas pessoas em cuja opinião eu confiava, cheguei a autores que, hoje, são fundamentais para mim. Através deles, desses autores, fui conhecendo outros.
3 – Sabemos que você é um ser em extrema intimidade com a escrita, mas, nos diga, outros meios de artes o atraem? Quais? Tem alguma aptidão artística além da escrita?
Resposta: Interesso-me por música, cinema, desenho, pintura, dança. Nenhuma aptidão. Apenas admiração e, claro, consumo. Realizo-me apenas – e somente – com a literatura.
4 – Como e quando surgiu sua aptidão para a escrita? Quando você achou que era um escritor de fato?
Resposta: Iniciou-se no começo dos anos 80, quando me envolvi com oficinas literárias. Não parei mais. A primeira publicação se deu em 1987, quando meu livro de estreia, a coletânea de contos “Diga Adeus a Lornalove”, ganhou o prêmio Geraldo Costa Alves, da UFES. Aliás, parte do prêmio era justamente a publicação. Não sei se sou um escritor, de fato. Ou, por outra: não sei se me consideram um escritor de fato. De direito, sim.
5 – Você tem um lista enorme de livros lançados (“Diga Adeus a Lorna Love”, “Um Outro País Para Alice”, “Com Viviane ao Lado”, “Mulheres – Diversa Caligrafia”, “Licantropo”, “Todas elas, agora” e “Histórias Curtas para Mariana M”). Qual é a fonte para tanta inspiração?
Resposta: Basicamente as mulheres – tanto que muitos dos títulos envolvem esse assunto. Mas creio pouco em inspiração. Acredito mais no trabalho, na pertinácia, no talento.
6 – Quais as semelhanças e diferenças de cada obra sua? Qual sua marca registrada?
Resposta: Não sei responder essa pergunta. De verdade. Talvez um professor de literatura ou um estudioso de Letras consiga fazê-lo. Nunca li meus livros e não tenho a isenção suficiente para comentar sobre eles. Não estou sendo modesto nem arrogante. Realmente não sei responder.
7 – Como é seu processo criativo? Quais são suas fontes de inspiração?
Resposta: Escrevo todos os dias, exercito-me. Leio também todos os dias – o que é fundamental para saber escrever. Quem lê bem escreve bem. Desde que haja, evidentemente, talento para isso. Não tenho uma fonte específica de inspiração. Talvez o quotidiano. Ele quase sempre me surpreende.
8 – É possível viver no Brasil escrevendo livros? Por quê?
Resposta: É possível para alguns poucos. Principalmente para aqueles que possuem canais de divulgação, como jornais, programas de tevê e uma ajudinha do poder público. Ou que participem da “panela” que se autodivulga e autoprotege.
9 – O que você acha dessa massificação dos livros de autoajuda e de vampiros? Acha que é bom para o mercado de livros? E para a população?
Resposta: O mercado adora, os autores de autoajuda adoram – e possivelmente os vampiros também. A população faz uma escolha, e ela precisa ser respeitada. O que professores, intelectuais, jornalistas etc. têm a fazer é apresentar alternativas. E, claro, a família tem papel fundamental nesse processo. É ela que deve estimular o jovem leitor a ler algo diferente da lista da Veja, por exemplo.
10 – Segundo sua opinião, o que falta para o povo brasileiro consumir uma boa arte?
Resposta: Opções há. E cada vez mais há bons shows, boas exposições, grandes eventos culturais – inclusive aqui, em Vitória. Vários bons escritores são traduzidos, a boa música está à disposição na internet. O que falta é informação para se chegar até isso. E, claro, boa vontade.
11 – Você chegou ao mundo virtual através do blog IPSIS LITTERIS. Conte-nos como é ter um blog cultural em nosso estado e país?
Resposta: O Ipsis é resultado de minha vaidade. Aliás, não conheço blogueiro que não seja vaidoso, que não escreva seus textos e, indiretamente, não esteja implorando aplausos. Mas o Ipsis é secundário. Tentei torná-lo um local de bons debates, discussões, mas é difícil, embora eu não possa reclamar muito daqueles que aparecem para comentar. Ao contrário: ajudam-me bastante, com sugestões, correções, dicas, puxões de orelha, elogios, críticas. Mas digo a vocês que a maioria usa a web para se divertir, para entretenimento. Falar sério, num blogue, é quase sentença de chatice. Vou adiante porque, além de vaidoso, sou chato.
12 – Você é um defensor da revitalização do Centro de Vitória. Nossa capital pode ser um pólo cultural?
Resposta: Não chego a ser um defensor dessa revitalização. Lamento que o centro seja deixado às moscas, afinal é uma usina de boas histórias – além de ter sido palco de uma produção bastante efetiva de poesia. Não creio que Vitória possa se tornar um polo cultural, principalmente porque a definição de “cultura”, disseminada por alguns setores dominantes da cidade e do estado, gera “panelinhas”, “corporativismo” e, claro, como consequência, mediocridade. E há – para piorar! – um preconceito muito grande por parte da população, que prefere consumir produtos que não sejam domésticos, a não ser que sejam gratuitos. Lamentável.
13 – O que podemos esperar de Francisco Grijó para 2012? Teremos projetos novos por aí?
Resposta: Terminei “Todas Elas, Agora”, um novo volume de contos, que deve ser lançado até o fim do ano, mas há a possibilidade de eu reunir todos os meus contos – inclusive os desse citado livro – numa coletânea. Ainda não decidi o que fazer. E estou envolvido num projeto com o Murilo Abreu, escrevendo sobre contracultura no ES tendo como base o primeiro grupo de rock da ilha, a banda “Mamíferos”. Estou na fase de entrevistas, depoimentos, pesquisa. Deve ficar pronto em 2013. O título, provisório, remete a uma música da banda, “Agite antes de Usar”.
“Porque é no trânsito que sobra tempo para ouvir discografias nos dias de hoje”
Escrever essa coluna sobre Ramones está tendo um gosto doce para mim. Estranho usar a palavra doce ao se referir a Ramones, não é? Não, não é. E explico:
Não precisamos ficar de rodeios ao citar Ramones, o som deles por si só é autoexplicativo, na verdade, no rock não existe nada mais direto, simples, genial do que o som dos Ramones. Aquele papo reto sem firulas, complicações e colocando toda ou mais que toda energia visceral na pegada das canções.
Mas esse jeitão e a forma de ser dos caras, durante muitos e muitos anos me fizeram ter um certo “medo” dos Ramones. Adorava o som, mas era algo que não podia gostar na frente das meninas, era sujo, pesado, estranho, proibido, sei lá. Era claro, uma impressão e muito errada.
Os anos passaram, aprendi a ouvir mais coisas e então me entreguei novamente aos Ramones. Nessa hora, descobri que esse tal “medo dos caras” era um mistério e que eu tinha muito que aprender sobre eles e assim eu o fiz.
Porém, eu era apenas um moleque do interior que só conseguia ter acesso a Ramones via cópias de fitas K7 dos caras mais velhos, o que dava ainda mais a sensação de que aquele som não era para qualquer um.
Eis que estou lá com meus 20 e poucos e inevitavelmente Ramones entra no repertório de shows da minha primeira banda. Inicia-se uma nova fase, onde acabo sendo obrigado a entender que muitas e muitas bandas que eu também gostava foram influenciadas pelos caras de Nova York. Eis que começo a desvendar certos mistérios.
Nos anos 2000, já na agência de propaganda, meu compadre Victor Mazzei (esse sim, sempre foi fã) nos inicia em uma jornada de comprarmos um cd dos Ramones por mês. Assim fizemos e durante alguns meses mergulhamos no Mondo Bizarro de Ramones. Que tempo bom.
Agora, com a meta de escrever essa coluna, me desfiz de todas as imagens misteriosas que tinha deles e ouvi, disco a disco (no trânsito, é lógico) com a alma aberta. E dessa vez o que era “medo” se transformou num delicioso prazer. Foram dias de puro doce.
Dessa vez o que descobri no som dos Ramones foi que tudo ali colocado veio da alma de cada um. Johnny e seu autoritarismo, Joey e todos seus complexos, DeeDee e sua rebeldia insano/profana e toques sensatos de Tommy. Está formada uma banda que de forma mais do que simples nos brindou com o som mais autêntico que se pode fazer.
Já ouço os críticos: “os caras só sabiam duas notas” ou “gravavam de qualquer jeito” ou “as letras são amadoras”, etc.
Ok, e como convencer que eles não prestaram para milhares de músicos e bandas que se inspiraram neles? Ramones foi um recomeço do Rock. Os anos 70 estavam “cabeça” de mais, mirabolante demais, comercial demais. Todo mundo querendo inventar uma nova fórmula para tentar ser os novos Stones, os novos Beatles. Era preciso fazer algo, era preciso colocar um pouco de confusão nisso tudo, novas técnicas, letras, tempos diferentes, cores, roupas, luzes, ahhhhhhhhhhhhhh!
Que nada, bastava uma guitarra em acordes duros, distorção, um baixo de marcação, bateria para encher e um vocalista estranho, fanho, mas cheio de energia e letras resumidas de situações pessoais. E prá que mais, não é mesmo?
Aos que acham eles limitados musicalmente eu digo: eram limitados mesmo! E com um “LIMITADOS” bem grande para você. Mas, e daí? Quem disse que a música, seja ela qual for, tem que ser sempre uma perfeição? Uma obra prima?
Ramones eram tão singulares que sabiam de suas limitações e fizeram disso sua fortaleza. Ou seja, já que não posso ser Ferrari, serei um baita dum fuscão invocado. E eram.
Por outro lado, não é qualquer guitarrista que tenha a pegada firme de Johnny, não era facinho, facinho para qualquer baixista da época ficar horas dando palhetadas e pular como louco no palco como DeeDee fez perfeitamente e depois também CJ que o substituiu.
Gosto muito da fase de Tommy na bateria, afinal ele que deu, justamente pela sua limitação técnica, a levada dos Ramones, mas admito que Marky deu um plus a mais, que acabou sendo importante para fase comercial da banda. Mas em particular, nada é mais genuíno que a voz de Joey Ramone. Na boa, o cara é a imagem da banda. Não há como pensar em Ramones sem vir logo a imagem de Joey na cabeça. E justamente o mais feio, o mais estranho, o mais sem categoria?
Sim, justamente como a banda. Irônico, não? Eu queria ser o Joey.
Após ouvir tudo dos Ramones novamente, selecionar aqui para vocês o que considero o filé de sua discografia, eu acabei descobrindo o que de fato eles foram e vi que aquele bicho papão que eu tanto tinha “medo” eram apenas caras como muito de nós que só queriam tocar suas músicas do jeito que sabiam e sem complicações, por favor.
O QUE NÃO CURTI MUITO: Sou muito fã do DeeDee, mas admito que sempre pulei as músicas que ele cantava. Sorry. Fora isso, me incomoda um pouco quando eles tentavam mudar o estilo por vezes. Claro que entendo variar e tal. Alguns solos, ou tentativas, são até legais, mas não tanto. E também alguns efeitos usados em algumas músicas (a maioria culpa do produtor Phil Spector), que ao me ver não caíram bem. Ramones não precisava.
O QUE CURTI MUITO: Tirando essa devoção toda acima, gostaria de em particular citar as baladas. Adoro as baladas dos Ramones. Curto muito quando uma banda, sem perder suas características, muda um pouco seu ritmo, e as baladas dos Ramones revelam o tal lado doce deles. Mais que isso, são baladas deliciosas de ficar cantarolando o dia todo.
Vamos tocar?
Sim!
Ok!
ONE, TWO, THREE, FOUR!!!!
E pronto!!!!!!
Baixe a discografia dos Ramones (seleção minha): http://www.4shared.com/rar/EkAQSvrf/discografia_em_trnsito_-_ramon.html. “Gabba Gabba Hey”
Curta a página “Discografia em Trânsito” no facebook: http://www.facebook.com/DiscografiaemTransito
(Texto de Juliano Nogueira publicado no site http://www.enfu.com.br em 01/06/2012)

Juliano Nogueira. Publicitário / São Paulino sarado / Baixista do Bando de Conga / Goleiro de meia tigela / Piloto frustrado / Pai da Julia e Luiza / Namorado da Lilian