domingo, 27 de novembro de 2011

ODAIR JOSÉ FINALIZA NOVO ÁLBUM

A audição de faixas do CD “Praça Tiradentes”, em fase de finalização, faz pensar, inicialmente, que o bom e velho Odair José — dos clássicos populares lançados na década de 1970 — está de volta. Logo em seguida, porém, quando se atenta para os arranjos, a produção de Zeca Baleiro, a participação de Paulo Miklos, a presença de músicas de Chico César, do próprio Baleiro e da dupla Arnaldo Antunes e Carlinhos Brown em total harmonia com a safra de Odair, percebe-se que é uma volta, sim, mas do bom e novo Odair.

A conversa com o compositor reafirma isso, quando ele compara o CD com os discos de sua melhor fase e diz que, física e mentalmente, sente o vigor da juventude.

— Estou escrevendo com o mesmo tesão de quando era jovem — resume o compositor de 63 anos, que lançou seu último CD de inéditas, “Só pode ser amor”, em 2006. — Na década de 1970 eu ficava feliz em fazer aquilo. Depois, tomei o xarope da babaquice e passei a fazer as coisas sem interesse. Agora mudou. Já bebi, já fumei, já andei perdido em todos os caminhos. Parei com tudo, faço academia regularmente há quatro anos. Estou obcecado por estar bem, com energia para que o corpo siga o ritmo da minha mente, das músicas que quero fazer.

O reconhecimento de novas gerações ao longo da última década — de Tribalistas a Cidadão Instigado, numa revalorização iniciada com o livro “Eu não sou cachorro não”, de Paulo Cesar de Araújo, e que gerou o CD-tributo “Eu vou tirar você desse lugar” — serviu de estímulo a Odair. Mas sua disposição ainda não era a atual quando Baleiro falou pela primeira vez com ele sobre um disco novo.

— Eu e Odair ficamos amigos, e um dia ele foi ao meu estúdio. gravar coisas novas — lembra Baleiro. — Mostrou umas dez músicas, todas boas. Sugeri na hora fazermos um CD. Ele disse que ia passar aquilo para uns cantores, não queria mais fazer disco. Mas botei pilha por um tempo e ele aceitou.

Um ano e meio depois do início dos trabalhos — a base foi gravada ao vivo no estúdio com a banda de Baleiro, formada por Tuco Marcondes (guitarra), Fernando Nunes (baixo), Kuki Storlarski (bateria) e Adriano Magoo (teclados) — o resultado aparece em “Praça Tiradentes”. A safra traz Odair autobiográfico na dylaniana-sertaneja faixa-título — que cita o lugar que foi seu primeiro endereço no Rio, quando veio de Goiânia. Suas vivências, aliás, se espalham pelo CD.

— “Aconteceu” tem a ver com o que vivia quando compus: andar por aí, beber uns drinques, esbarrar com alguém — diz o compositor, referindo-se à ode ao amor fortuito que tem a participação de Miklos e destila o estilo Odair em versos como “Num hotel sem conceito/ Rolando na cama/ Sem nenhum preconceito/ A gente se ama/ Bebendo um scotch/ Falso e sem gelo/ Mostrando pro mundo/ Que amor vagabundo/ Também tem seu apelo”.

Se Odair depura a poética consolidada em canções como “Uma vida só (Pare de tomar a pílula)” e “Eu vou tirar você desse lugar”, Baleiro emula o compositor ao escrever a letra de “E depois volte pra mim” (melodia de Odair), sobre um homem que namora uma prostituta (“Pra todo mundo ela diz/ Que é modelo e atriz”).

— Ele sempre foi mais rock do que brega ou qualquer coisa — defende Baleiro. — Isso estava nas letras, nas quais sempre falou em sexo, drogas, amor homossexual ou com garota de programa. E também na música, porque ele ouvia Peter Frampton, Led Zeppelin, que unia à sua origem goiana, do que veio a ser o sertanejo. Ele merecia um disco rock’n’roll. Os "riffs" do CD ele trouxe na ponta do dedo. “Vou sair do interior”, de Arnaldo e Brown, chegou como uma balada. Odair pegou e voltou com uma coisa “Penny Lane”.

Baleiro quer lançar por uma gravadora grande. Se não conseguir, o CD sai por seu selo, Saravá Records, até março. Odair sonha com um primeiro show na Praça Tiradentes, no Teatro Carlos Gomes, como que celebrando a volta ao início. Sem álcool, sem cigarro, mas com a filosofia de cronista "outsider" intacta. Como no olhar que lança sobre sua velhice-juventude em “Em qualquer verdade”: “Estou velho para aprender/ Mas estou moço para ensinar”.

ROLLING STONES 50 ANOS

A banda Rolling Stones pretende se reunir, ainda em dezembro, para definir como serão as comemorações de seu aniversário de 50 anos, em março de 2012. Segundo o portal Gigwise, eles estariam dispostos a deixar as diferenças de lado para celebrarem as 'bodas de ouro'.

Uma fonte próxima aos músicos disse que algumas empresas já iniciaram as conversações no sentido de promover uma possível turnê mundial. O guitarrista Keith Richards não esconde o seu entusiasmo com as festividades. "Não vejo porque os Stones não podem se reunir para algum tipo de show no próximo ano. Eu quase conto com isso", disse ele.

Em recente entrevista á revista Spinner, o músico afirmou que pretende reunir músicos que já passaram pela banda e ainda estão vivos. "Todos são bem-vindos. Eu vou chamar Bill Wyman também e Mick Taylor. Todo mundo. Todos são Stones, sabe??, afirmou.

A última turnê da banda, "A Bigger Bang", terminou em 2007. Enquanto nada se resolve sobre as comemorações 50º aniversário dos Rolling Stones, o vocalista Mick Jagger segue promovendo seu novo projeto, o Superheavy.

JON ANDERSON, EX-YES, SE APRESENTA NO BRASIL EM DEZEMBRO

Os fãs do Yes não podem perder. O vocalista do lendário grupo, Jon Anderson, fará duas apresentações imperdíveis no Brasil em março: nos dias 13, no Claro Hall, no Rio de Janeiro, e 14, no Credicard Hall, em São Paulo. Em abril, ele se junta novamente ao Yes para fazer uma turnê pelos Estados Unidos. No repertório dos shows, sucessos do Yes como I've Seen All Good People, And You And I, Long Distance Runaround e Starship Trooper, além de canções do último álbum de sua carreira solo, The More You Know, lançado em 1998.

Jon Anderson sempre foi considerado um músico eclético. Além de cantar e escrever, ele toca vários instrumentos musicais. Irriquieto, nunca ficou preso ao grupo que o lançou. Além de 25 discos com o Yes, Jon lançou de 12 álbuns solo e seis em parceria com o Vangelis.

Mas não é só a música que alimenta sua alma. Em 2001, Jon Anderson, o ativista dos direitos humanos, fez questão de participar do projeto “United We Sing”, que teve como objetivo angariar fundos para as vítimas dos atentados terroristas de 11 de setembro, nos Estados Unidos.

Jon Anderson nasceu na Inglaterra, em 1944. Como o dinheiro da família era escasso, aos 15 anos ele abandonou a escola para trabalhar numa fazenda. A ocupação veio a calhar, mas acabou não durando. Jon estava sempre atrasado. Isso acontecia porque ele costumava ficar horas ouvindo Elvis Presley, The Everly Brothers e Eddie Cochran, suas maiores referências na música. Então, em 1962, aos 18 anos, ele resolve abandonar o campo e entrar para sua primeira banda, o Warriors.

Em 1968, Anderson, Chris Squire (baixo), Tony Banks (guitarra), Bill Bruford (bateria) e Tony Kaye (teclados) formam o Yes. Rapidamente, a banda começa a fazer sucesso e é contratada para abrir os shows do The Who e do Small Faces. Cerca de sete anos mais tarde, Jon se sente preparado para lançar seu primeiro álbum solo, Olias of Sunhillow, em que toca todos os instrumentos. Paralelamente, continua a fazer turnês mundiais com o Yes. Site oficial: www.jonanderson.com.

ZECA BALEIRO

Raimundo Fagner, Zeca Pagodinho, Carlos Dafé. A variedade de parcerias é diretamente proporcional à sua diversidade musical. Para Zeca Baleiro, 45 anos, transitar entre várias manifestações rítmicas, tal como confundir a opinião pública e os fãs sobre o espaço que ocupa no mercado fonográfico, é satisfatório. “Pra alguns sou alternativo, pra outros sou mainstream. Pra alguns sou pop, pra outros MPB. É bom assim, vou transitando entre um e outro”, diz o músico.

Ironias desse processo de exposição, que se iniciou em 1997 com o lançamento do primeiro disco “Por Onde Andará Stephen Fry”, se convertem em situações ímpares. Em alguns círculos autointitulados alternativos, composições de repercussão massiva como “Telegrama” e “Lenha” chegam a ser, de certo modo, “proibidas”. Um extremismo menos ligado à qualidade das letras e dos arranjos do que ao simples fato dessas músicas ocuparem o terreno do popular. “Não sabia disso. Mas estou em boa companhia. Sabia que Stairway To Heaven, do Led Zeppelin, foi proibida de ser tocada pelos guitarristas em lojas de disco americanas?”, retruca o maranhense.

Para não perder o embalo, e garantir que sua cara on the road não estremeça, o rapaz que nos tempos universitários tinha mania de andar com balas e chicletes no bolso e cometeu “a insensatez” de abrir uma loja de doces – por isso o vulgo “Baleiro”–, projetou para o início de 2012 o lançamento de um novo CD de inéditas. Convidados vêm a rodo. “Estou produzindo um novo disco que tem vários parceiros, entre eles Frejat e a compositora japonesa Kana. E o disco ainda terá 10 produtores - Luiz Brasil, Fernando Nunes, Beto Villares e Tuco Marcondes entre eles”.

O processo criativo, cujo resultado é sempre um mar de aliterações, estrangeirismos e metáforas, permanece o de sempre. “O melhor é quando vem tudo junto - letra e música. Mas não tenho métodos, é tudo muito caótico, a qualquer hora, em qualquer situação”, comenta Baleiro, que escolhe momentos de calmaria para organizar as ideias e finalizá-las.

As conquistas do menos conhecido pelo nome real que não esconde sua origem maranhense, José de Ribamar, são dignas de brinde com Möet Chandon. São cinco discos de ouro, três prêmios Sharp, três indicações ao Grammy Latino, sem contar trilhas sonoras para novelas como “Da Cor do Pecado” (Samba do Approach) e filmes como “Bicho de Sete Cabeças” (trilha homônima). Afora tudo isso, suas criações já foram parar na boca de Gal Costa, Elba Ramalho, entre outros intérpretes.

Atravessa, com esse background, duas fases diferentes. A cada vez mais distante época em que as gravadoras centralizavam a produção e difusão artística e a evidente digitalização musical, em que um músico grava e se projeta com um laptop e uma conexão para internet. Baleiro não enjeita as ferramentas provenientes da era da informação. “No meu site é possível ouvir todos os meus discos em streaming e costumo colocar faixas para download gratuito quando lanço novos trabalhos”, afirma.

Em contraponto a essa necessidade de divulgação por meios tecnológicos, Zeca Baleiro enfatiza que é essencial a manutenção do clássico apelo de ligação com o público, o disco propriamente dito. Por experiência própria – com fãs comprando seus álbuns após ouvirem as músicas online -, ele argumenta que há mercado para que o método tradicional de promoção de um artista não saia de cena.

“Acho que temos que jogar em todas as frentes. A internet é importante como meio de divulgação sim, mas o disco não vai morrer tão cedo. Eu mesmo sou um comprador de discos, sou apaixonado pelo objeto, gosto de ler encarte, ver projeto gráfico, ficha técnica. Enquanto houver uns malucos amantes do disco, ele sobreviverá”, diz.

O músico fica no meio-termo entre liberdade de informação da internet, em xeque com um projeto de lei em análise nos EUA, e a defesa do direito autoral. Sua crítica maior é de que o universo digital não pode se tornar a plataforma definitiva para todo o processo de difusão artística, mas sim como mais uma ferramenta disponível. “Logo, me parece sábio usar isso como mais um recurso, e não "o" recurso. Sou apaixonado pelo disco e continuarei produzindo, mas se temos essa ferramenta ao alcance das mãos, vamos usá-la então. Por outro lado, é preciso encontrar uma maneira de garantir os direitos autorais”.

BANDA CAPIXABA TABACARANA LANÇA 1ª ÁLBUM


Quase um mês após o retorno da turnê na Europa, a banda Tabacarana começa a movimentar o lançamento do CD "Virei no Samba - Europe Tour Edition". O disco de 10 faixas, produzido em Vitória, foi o cartão de visita do trio durante sua turnê de quase dois meses pela França, Espanha e Inglaterra.

"A gente se inspirou em outros artistas como Seu Jorge, que fazem lançamento fora do país e depois voltam para lançar aqui. Tivemos a oportunidade e pensamos por que não? Vamos fazer o lançamento lá fora e saber a recepção da galera estrangeira e depois lançamos em Vitória".

"Virei no Samba" é o primeiro disco da carreira do trio. Segundo Rabujah, o convite da viagem interferiu na seleção do repertório do disco. O CD já estava em processo de produção quando surgiram os convites para participar dos festivais europeus e isso os fez pensar no que gravar.

"A gente se preparou para fazer o disco e quando estávamos prestes a gravar surgiu o convite para participar de alguns festivais na Europa e a gente começou a preparar o material para a turnê. A princípio pensamos: 'os caras (europeus) não conhecem nada, então a gente pode tocar o que quiser'. Quando, na verdade, lá vimos que eles tem um conhecimento de música brasileira", conta.

O disco leva o nome da primeira faixa. "Virei no samba" é de autoria do poeta Delor da Costa (letra) e do próprio Juliano. Ela conta a história de um homem que caiu no samba e no dia seguinte foi flagrado no trabalho pelo chefe, ainda com "resquícios" da noite anterior, e acaba se dando mal.

O resultado do que foi apresentado agradou os europeus. Tanto que os contatos feitos com os produtores após apresentações garantem um retorno da banda ao Velho Mundo. "Foi uma experiência sem igual: você poder compartilhar com outros músicos estrangeiros e brasileiros que moram fora é muito enriquecedor. Acabamos conhecendo pessoas muito boas, no sentido de abrir oportunidade de voltar na Europa, lançar o segundo disco e fazer uma turnê novamente", conta Juliano Rabujah, vocalista da banda.

O "Virei No Samba - Europe Tour Edition" teve a arte desenvolvida pelo designer cachoeirense Isac Pena, inspirada na faixa título do CD. Além da música, a capa também fez menção aos principais símbolos do "velho mundo", por onde a banda passou.

A produção do disco ficou a cargo do estúdio Feito a Mão e teve produção musical de Rodolfo Simor e engenharia de áudio de Raphael Herdy. Segundo Juliano, a distribuição será realizada virtualmente. "A princípio estamos segurando um pouco. Mas, materializar o disco não vai ser uma ideia tão interessante como foi lá fora. Na Europa, o disco era nosso cartão de visita. Aqui no Brasil, será lançado no formato eletrônico (myspace, palco mp3, soundcloud). A gente sabe que essa é a melhor estratégia para chegar no ouvido de quem gosta de música independente", conta.

O lançamento oficial deve acontecer ainda em dezembro. De acordo com Rabujah, o trio pensa em realizar uma festa em Vitória. "Queremos organizar o lançamento formalmente aqui numa coisa maior. Normalmente, em Vitória, os artistas fazem lançamentos de disco em teatro. Queríamos muito esse glamour, mas a gente faz um som de pista, para dançar. Então estamos pensando num projeto maior e audacioso de fazer uma coisa que possa envolver a noitada para a galera curtir e dançar o som do Tabacarana", finaliza.

sábado, 26 de novembro de 2011

100 ANOS DO INCRÍVEL MÁRIO LAGO


"Eu não sou saudosista. Não fico lamentando: ’ah, o meu tempo’. Meu tempo é hoje."– Mário Lago.

Mário Lago nasceu na histórica Rua do Resende, no Rio de Janeiro, em 26 de novembro de 1911, filho único de Antônio Lago, um jovem compositor, maestro e violinista de sucesso, de uma família de músicos; e de Francisca Maria Vicência Croccia Lago, jovem descendente de calabreses, oriunda também de família de músicos.

Mário Lago foi criado no bairro da Lapa, no Rio. Formou-se em Direito, mas jamais exerceu a profissão. Chegou a trabalhar como jornalista e estatístico, mas por pouco tempo. Desde criança, a arte exerceu absoluto fascínio sobre ele; uma atração igualada apenas pela política, pela boemia e pela família. A todas elas se dedicou com igual empenho e paixão.

Falecido em 30 de maio de 2002, Mario Lago foi casado por quase 50 anos com Zeli Cordeiro Lago. O ator deixou cinco filhos (Vanda, Antonio Henrique, Graça, Luiz Carlos – falecido em 2010 – e Mário). Mário Lago foi muitos.

VÁRIAS FACES

Autor - A estréia de Mário Lago aconteceu em março de 33, como autor teatral. A maior parte de suas peças foi escrita nas décadas de 40 e de 50, para o chamado Teatro de Revista e para atores como Araci Côrtes, Elza Gomes, André Villon, Oscarito e Armando Nascimento. No início dos anos 1970, escreveu a sua última peça teatral: "Foru Quatro Tiradentes na Conjuração Baiana", sobre a Revolução dos Alfaiates, na Bahia. Proibida pela Censura, teve uma única leitura pública, com participação do próprio Mário, ao lado dos atores Oswaldo Loureiro, Wanda Lacerda, Francisco Milani e Milton Gonçalves, entre outros.

Também escreveu roteiros e argumentos para o cinema, entre eles, o do filme Banana da Terra (1939), em parceria com João de Barro, o Braguinha.

Compositor - Na música, estreou em 1936, com a marchinha Menina, eu sei de uma coisa, primeira parceria com Custódio Mesquita. O sucesso viria dois anos depois, com Nada além, da mesma dupla, na gravação de Orlando Silva. Sozinho, ou em parceria com nomes como Ataulfo Alves, Chocolate, Roberto Roberti, Roberto Martins, Benedito Lacerda, Elton Medeiros e João Nogueira, Mário compôs sucessos como Amélia, Atire a primeira pedra, Aurora, Dá-me tuas mãos, Enquanto houver saudade, Fracasso, Será e Número um.

Ator - Em 1942, estreou como ator de teatro, onde criou personagens de grande repercussão, como o Aprígio, no clássico O Beijo no asfalto, de Nélson Rodrigues. No cinema, atuou em alguns dos principais filmes brasileiros, como O Padre e a Moça, de Joaquim Pedro de Andrade, Os Herdeiros, de Cacá Diegues, O Bravo guerreiro, de Gustavo Dahl, e Terra em transe, de Glauber Rocha.

A popularização do ator veio com as novelas, a partir de 1966, destacando-se suas atuações em O Casarão, de Lauro César Muniz, Nina, de Walter George Durst, e Dancing Days, de Gilberto Braga, trabalhos que lhe renderam dois prêmios de Melhor Ator da Associação Paulista de Críticos de Artes e um Golfinho de Ouro.

Seus últimos papéis na TV foram a minissérie Hilda Furacão (1998), de Glória Perez, interpretando o velho boêmio Olavo; o especial Enquanto a Noite não Chega, em dezembro de 2000, e uma participação especial na novela O Clone, de Glória Perez, revivendo o personagem Dr. Molina, de Barriga de Aluguel, da mesma autora. Mário Lago gravou a novela no final de 2001, seis meses antes de falecer.

Radialista - No rádio, foi ator, autor de novelas, produtor e diretor. Seu trabalho mais conhecido foi a série Presídio de Mulheres, que escreveu para a Rádio Nacional e que liderou a audiência da emissora durante cinco anos seguidos. Em 1964, com o golpe militar, Mário Lago foi demitido da Nacional.

Escritor – Autor de 11 livros, Mário estreou com a coletânea de poemas políticos O Povo Escreve a História nas Paredes. Poeta e escritor - Sua produção literária inclui os títulos Chico Nunes das Alagoas, Na Rolança do Tempo, Bagaço de Beira Estrada, Rabo da Noite, Meia Porção de Sarapatel, Manuscrito do Heróico Empregadinho de Bordel, Segredos de Família e o infantil Monstrinho Medonhento, seu maior sucesso editorial. Deixou um livro inconcluso, dedicado às memórias das boas “molecagens” que praticou ao longo da vida.

Militância - Desde jovem, Mário se dividiria entre o trabalho artístico, uma intensa atividade política e a boemia. A participação política lhe rendeu seis prisões, a primeira em janeiro de 1932, e a demissão da Rádio Nacional, em 1964, o que resultou em quase um ano de desemprego. Na época do golpe militar, era procurador do Sindicato dos Radialistas do Rio de Janeiro, um dos mais combativos do país.

Mário participou de várias campanhas em defesa dos direitos humanos e do patrimônio do país, como O Petróleo é Nosso, Contra as Armas Nucleares, Campanha da Paz (durante a II Guerra), Anistia (décadas de 40 e 70), Contra a Censura, Diretas Já, Pela Condenação dos Assassinos de Chico Mendes etc. No século XX, não há registro de movimento político do gênero que não tenha tido o apoio e a participação direta de Mário Lago. Curiosamente, jamais foi filiado a qualquer partido. A partir de 1989, passou a dar apoio e militância ao PT, mas sem vínculo de filiação.

O FANTÁSTICO SR. RAPOSO


O Sr. Raposo (George Clooney), a Sra. Raposa (Meryl Streep) e seu filho vão morar em uma árvore, localizada em uma colina. Lá eles têm como vizinhos o Coelho (Mario Batali), o Texugo (Bill Murray) e a Doninha (Wes Anderson), entre outros animais, todos com suas respectivas famílias. O Sr. Raposo prometeu à esposa que deixaria a vida de roubos de galinhas, já que ela estava grávida. Desde então ele iniciou uma respeitável carreira de colunista de jornal. Porém, a proximidade do novo lar com as fazendas de Boggis (Brian Cox), Bunce (Hugo Guinness) e Bean (Michael Gambon) faz com que volte à velha vida, às escondidas. Só que logo o trio de fazendeiros se une para capturá-lo.

À moda de Wes Anderson, estamos, de novo, diante de um herói ao encontro de sua natureza. No caso, o Sr. Raposo uma hora percebe que a única coisa que o completa é caçar a cria dos vizinhos. Nem seria preciso dizer, mas “O Fantástico Sr. Raposo” tende a agradar mais os fãs do cineasta do que o seu suposto público alvo. Há muita correria no filme, algumas situações cômicas "fáceis", para a criançada, mas ele não deixa de ser típico - o Sr. Raposo lembra Royal Tenenbaum, o Raposo Filho é um loser convencido como Max Fischer, e no final rola até uma epifania à la tubarão-jaguar.

O Fantástico Sr. Raposo” é um filme muito inovador e curioso com personagens muito bem caracterizados. Excelente!