terça-feira, 29 de maio de 2012

OFES APRESENTA "CHOROS 10", DE VILLA-LOBOS, NESTA QUINTA. NÃO PERCA!


A Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (OFES), sob a regência do maestro convidado, Roberto Duarte, realizará na quinta-feira (31), o terceiro concerto da Série Concertos Sinfônicos, da Temporada 2012. A apresentação será realizada no Theatro Carlos Gomes, em Vitória, às 20 horas. Os ingressos custam R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia) e podem ser adquiridos a partir das 14horas do dia 25 de maio, na bilheteria do Teatro (3132-8396).

O repertório será composto por obras dos compositores franceses Debussy e Ravel e do compositorbrasileiro Heitor Villa-Lobos, três nomes de peso da música clássica do Século XX. Destaque para aprimeira apresentação pela Ofes da obra Choros 10, de Villa-Lobos. Esta composição é de 1926 etraz elementos de percussão brasileiros que conferem à obra, essencialmente modernista,cadências semelhantes às do baião e do samba. É uma das obras de Villa Lobos mais reconhecidas eaplaudidas no mundo inteiro.

Além da Ofes, participarão dessa apresentação o Coro Sinfônico da Faculdade de Música do EspíritoSanto (Fames) e o Coral do Instituto Federal do Espírito Santo (IFES ).

Para apresentar o concerto em Sol, de Ravel, foi convidado o pianista francês Hugues Leclère. Nascido na França em 1968, Hugues Leclère se aperfeiçoou sob a orientação de Catherine Collard antes de entrar para o renomado Conservatório Nacional Superior de Música de Paris, onde maistarde obteve três primeiros prêmios, em piano, análise musical e música de câmera.

Paralelamente à sua carreira de concertista, Hugues Leclère atua como diretor do FestivalInternacional Nancyphonies e como professor de piano no Conservatório Real de Bruxelas.

Destaque ainda para o maestro convidado, Roberto Duarte. Natural do Rio de Janeiro, Duartedesenvolve suas atividades como regente no Brasil, Europa e Estados Unidos. Seu interesse pela música brasileira o coloca em posição de destaque no cenário musical, com a apresentação de maisde uma centena de obras em primeira audição mundial e a revisão das obras para orquestra de Villa-Lobos. Teve o privilégio de ter sido discípulo e assistente de dois dos maiores mestres brasileiros: Francisco Mignone e Eleazar de Carvalho. Mais tarde aperfeiçoou-se, ainda, na Itália e na Alemanha.

É membro, entre outras, da Academia Brasileira de Música. Em novembro de 1996 recebeu doGoverno Brasileiro, através da Funarte, o mais alto prêmio da Música no Brasil: o Prêmio Nacional da Música, como regente. Foi Em 2001 recebeu o Prêmio Carlos Gomes por sua atuação no campo daópera, como regente e revisor. Em Paris, em abril de 2002, participou como membro do comitê dehonra e palestrante no I Congresso Internacional Villa-Lobos.

Roberto Duarte foi Regente Titular e Diretor Artístico da Orquestra Sinfônica da Universidade Federal do Rio de Janeiro (1981-1994), da Orquestra Sinfônica do Paraná (1998-1999) da Orquestra Unisinos, no Rio Grande do Sul (2003-2005). Recentemente foi Diretor Artístico da Orquestra do Teatro São Pedro, em São Paulo.

RAPPER E SAMBA REGGAE NO PROJETO "QUARTAS NO TEATRO"


O projeto "Quartas no Theatro Carlos Gomes", desenvolvido pela Secretaria de Estado da Cultura (Secult), reunirá nesta quarta-feira (30) o rapper Kamale e o músico Leandro Solosanto. O espetáculo será realizado às 19 horas no Theatro Carlos Gomes. O ingresso custa R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (meia-entrada).

Antes das apresentações, o público poderá prestigiar, às 18 horas, o "Música no Museu", no Museu de Arte do Espírito Santo (Maes), projeto realizado em parceria entre o Maes e a Fames. Além de proporcionar um excelente momento de reflexão e contato com as artes, é também uma ótima oportunidade para os frequentadores do projeto "Quartas do Theatro Carlos Gomes" curtirem outros estilos musicais.

O projeto faz do Theatro Carlos Gomes uma vitrine da produção capixaba. Além da tradicional "Quarta Clássica", série da Orquestra Filarmônica do Espírito Santo (Ofes), o espaço é palco para espetáculos de música popular e artes cênicas. O programa possibilita à comunidade ter acesso aos bens culturais, valorizando o artista e a diversidade cultural do Espírito Santo. No show desta quarta-feira (30) os artistas interagem, além de suas apresentações solo.

O primeiro show da noite apresentará o rapper Kamale que propõe, com suas composições, uma reflexão sobre conduta e valores diante dos desafios de se viver à margem da sociedade. Ele traz a música das periferias para as grandes massas.

Kamale é um rapper conhecido no cenário capixaba e iniciou sua trajetória musical em 2002 no grupo de Hip Hop "Falha no Sistema". Agora em carreira solo, o músico vem com uma proposta inovadora, mesclando o que há de melhor na música brasileira e mundial, lembrando sempre suas raízes.

A noite terminará com o show do cantor e compositor Leandro Solosanto, natural do Espírito Santo e dono de um talento nato, apaixonando pela música desde os seus 8 anos. Solosanto ao longo do tempo ganhou sensibilidade musical, e em 2001 fez parte de uma banda capixaba de forró pé de serra, dividindo o palco com Alceu Valença, Elba Ramalho, entre outros.

Em 2008 mudou-se para a Bahia, e influenciado pelo samba reggae, gravou seu primeiro CD com o nome "Pro dia chegar", com oito músicas de sua autoria e duas parcerias. De volta ao solo capixaba, em 2011 Solosanto lançou o EP "Uma história de amor"´, com duas canções inéditas e três regravações, iniciando suas apresentações pelo Estado, buscando consolidar o seu trabalho.

Serviço:

Projeto Quartas no Theatro: "Kamale e Leandro Solosanto"

Local: Theatro Carlos Gomes - Praça Costa Pereira, Centro de Vitória-ES.

Data: 30/05/2012.

Horário: 19 horas.

Valor: R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (meia-entrada).

MICHAEL FOUCAULT E AS CONFISSÕES DA XUXA


Em História da sexualidade: vontade de saber (1976), o filósofo francês Michel Foucault (1925-1942) mostrou-nos, para quem tem olhos livres para ler, como o não menos “livre e democrático” Ocidente produziu, a partir de seu ponto G civilizacional, as subjetividades estilizadas que circulam em Nova York e que se tornaram os modelos de humanos a serem reverenciados e imitados por todo o planeta como exemplos de liberdade, plasticidade, alegria, despojamento e afirmação de diferenças sexuais ou simplesmente como exemplos de democracia encarnada em subjetividades humanas.
Michel Foucault recorreu às técnicas de confissão inquisitoriais impostas pela Igreja Católica na Idade Média e a partir delas nos mostrou que a especificidade do Ocidente, em relação a outros modelos de sociedade, foi a de ter produzido uma civilização confessional, na qual e através da qual somos o que confessamos ser: nossos sexos reis, senhores de nossas vidas e nossas identidades.
As técnicas confessionais desenvolvidas pela Igreja Católica medieval eram, como se sabe, inomináveis procedimentos de tortura física, através dos quais o torturado ou a torturada devia confessar a verdade dos pecados cometidos, quando não eram a própria punição voltada e devotada contra plebeus, mulheres, judeus, mulçumanos, africanos, homossexuais, – contra antes de tudo àqueles e àquelas que, por um motivo ou outro, não se adaptavam ao padrão divino, de puro sangue azul, das heterossexuais castas aristocráticas das monarquias medievais, principalmente as de Portugal e Espanha.
Meios de comunicação são tecnologias de eu
Confessar-se como outro em relação ao padrão supostamente transcendental do patriarcal e racista rosto das monarquias católicas medievais – mesmo que a custo de ser queimado vivo, sob a acusação de herético – produzia, através da cerimônia da tortura, três consequências consecutivas: 1) servia para destacar a superioridade divina das monarquias ibéricas, pois a confissão estava intimamente implicada com a necessidade ritual de dizer “a verdade” de sua impureza feminina, homossexual, étnica, plebeica e não católica; 2) aceitar, via confissão torturada, a impureza de seu próprio sangue mortal, sujo, vil, pecador, vis-à-vis à pureza divina do sangue azul da divina monarquia católica; 3) confessar-se como naturalmente pecador, por constituir-se como outro em relação ao padrão divino monárquico, a fim de, pelo ritual da tortura, inscrever-se como vida nua ou cordeiro de Deus, sempre disponível a compor a diversidade gustativa da mesa da monarquia católica, como manjar dos Deuses, cujo principal prato é o da carne torturada do pecado de ser outro.
Michel Foucault argumentou, em História da sexualidade, que as técnicas de confissão ou de tortura da Idade Média católica se tornaram o modelo de referência da civilização ocidental, pois esta se singularizou ao se transformar numa fábrica mundial de confissão, sobretudo após o advento da burguesia, no século 19.
À diferença da Idade Média católica, no entanto, a civilização ocidental burguesa transformou-se ela mesma em sua própria divina monarquia, a monarquia burguesa, para a qual as técnicas de confissão devem seguir o seguinte roteiro cerimonial: 1) a democracia é o pecado ou o herético povo pecador da civilização burguesa ocidental, agora planetária; 2) a democracia deve, tal como ocorria na Inquisição medieval, ser torturada a fim de confessar a verdade de si como inferior, em relação ao divino proprietário burguês dos meios de produção; 3) confessar-se como inferior significa aceitar, alegremente, constituir-se como o manjar diversificado da culinária do prato da civilização burguesa; 4) essa aceitação implica que a democracia não pode ser herética, isto é, não pode ser democracia, entendida como dissenso do povo, como o lugar da diversidade indomável;
5) o povo deve ser domável, portanto, confessando o pecado de ser povo indisciplinado e indomável; 6) essa confissão do pecado de ser povo é realizada através de novas técnicas de confissão, diferentes das da Idade Média católica, porque necessariamente não têm o corpo como objeto de tortura, mas a alma;7) Foucault dá o nome de tecnologias do eu às técnicas confessionais da civilização burguesa ocidental; 8) os saberes ocidentais, como a medicina, a antropologia, a psicologia, a psicanálise, psiquiatria, filosofia, teorias da literatura, o jornalismo, a história –dentre outros – se tornaram saberes que têm como principal inconfessável objeto produzir identidades ou subjetividades livres para se tornarem o manjar diversificado da civilização ocidental burguesa; 9) a principal confissão das subjetividades ou identidades produzidas pelas tecnologias de eu da civilização ocidental é a de aceitá-la “livremente”, a civilização burguesa, como se fora um presente eterno e imutável; 10) a civilização burguesa ocidental se torna divina e eterna, através das técnicas de confissão, na medida em que consegue deslocar e domesticar a potência povo, que é potência coletiva, da democracia, em potência individual, de modo que o outro da e na potência povo deixa de ser a possibilidade de outro modelo civilizacional e passa a ser o outro como diferente indivíduo isolado;11) este, o indivíduo isolado, é o que confessa a si mesmo como outro, como gay, negro, índio, latino, mulher e tem como horizonte de expectativa a afirmação orgulhosa de si como outro, aceitando a sociedade burguesa como eterna, imutável, porque não pode de forma alguma vincular a sua condição de outro, em relação a qualquer padrão étnico e sexual, por exemplo, à necessidade de produzir um outro modelo de civilização, não burguês;
12) o indivíduo isolado, orgulhoso de sua diferença, é o supermercado humano da civilização burguesa, seu cordeiro de Deus, razão pela qual é mercadoria de gente ou gente como mercadoria, duplamente comprável: comprável porque é literalmente comprado e comprável porque compra diferenças humanas no supermercado humano burguês;13) Nova Iorque é a principal cidade-supermercado da civilização burguesa planetária e suas ruas são prateleiras onde os confessados indivíduos isolados são expostos à publicidade midiática mundial, como cordeiros do Deus da sociedade burguesa; 14) tal como na Idade Média católica, o grande inimigo da civilização burguesa, é o não católico, isto é, o não burguês ou aquele que não aceita a confissão da verdade de sua diferença-mercadoria da e para a sociedade burguesa; 15) as guerras que a civilização burguesa realiza diariamente, tal como na Idade Média católica, são cruzadas contra heréticos que, por uma razão ou outra, não se confessam nas prateleiras humanas do supermercado mundial da burguesia ou oligarquia burguesa planetária; 16) a sexualidade ou o dispositivo da sexualidade é o principal mecanismo de tecnologia do eu da civilização burguesa ocidental, de modo que confessar a si mesmo como outro, na prateleira do supermercado humano burguês, torna-se antes de tudo confessar a verdade de seu próprio sexo; 17) no interior da sociedade do espetáculo, os meios de comunicação de massa são tecnologias de eu ou fábricas de produção de identidades sexualmente confessadas como “felizes” ocupantes das prateleiras do supermercado humano burguês.
O supermercado midiático
Dizer que os meios de comunicação de massa são máquinas de produção de “eus confessados” do mundo burguês contemporâneo, como disse na décima sétima enumeração acima, equivale a interpretar literalmente a máxima do filósofo e educador canadense Marshall McLuhan, “o meio é a mensagem”, razão pela qual, na civilização burguesa contemporânea, os meios de comunicação de massa constituem a própria mensagem da verdade literal do mundo burguês como democracia de fachada ou como domesticada democracia de prateleira.
A mídia planetária burguesa, tautologicamente, é ela mesma uma máquina de publicidade burguesa ou simplesmente o supermercado midiático e publicitário do mundo burguês, como confessada verdade tecnológica da exposição planetária das subjetividades burguesas. Ela é, pois, o supermercado virtual das confessadas mercadorias humanas das multicoloridas subjetividades burguesas, como farsa ou propaganda enganosa daquilo que elas efetivamente não podem ser: diversidades não burguesas, povo em dissenso produzindo a si mesmo fora do mundo burguês: fora da mercadoria ou do humano como mercadoria ou da mercadoria humana como cordeiro de Deus do mundo burguês.
E aqui finalmente chegamos à confissão da apresentadora Xuxa, realizada no programa da TV Globo, Fantástico, no domingo do dia 20. Tal como a máxima de McLuhan, “o meio é a mensagem”, suas confissões devem ser interpretadas literalmente como verdades não apenas dela, Xuxa, mas antes de tudo das prateleiras do supermercado midiático do mundo burguês.

A prateleira midiática global
As confissões de Xuxa no Fantástico detêm um ponto sísmico subjetivamente obscuro proibido cuja verdade deve ser publicitariamente revelada para o público: a violação sexual de que foi vítima na sua infância e adolescência. Xuxa confessa a verdade de que foi vítima de pedófilos, verdade publicitária porque serve antes de tudo para produzir audiência.
A propósito das confissões das práticas ou experiências sexuais proibidas, como a pedofilia, por exemplo, no ensaio Tecnologias do eu (1988), Michel Foucault diz textualmente: “A diferença do que ocorre com outras proibições, as proibições sexuais estão continuamente relacionadas com a obrigação de dizer a verdade sobre si mesmas” (FOUCALT, 1990, p.21).
Dialogando com Foucault, as confissões pessoais e sexuais de Xuxa estão diretamente comprometidas com a necessidade de dizer a verdade sobre si mesma – sobre a experiência traumática da verdade da história de Xuxa, talvez a mais cara mercadoria humana produzida pelo mais poderoso supermercado midiático brasileiro: a TV Globo.
Aqui, antes de continuar, abro um parêntese.
(Claro que dizer o que disse não constitui uma forma de desconsiderar o trauma vivido por Maria da Graça Meneghel: a Xuxa como pessoa real. Minha análise, deixo claro, é sobre a personagem Xuxa, embora já não saibamos se era Xuxa como personagem que confessava a verdade dela como pessoa real, como Maria da Graça Meneghel; ou se esta que confessava a verdade daquela, tal a verdade que uma se misturou com a outra, inevitavelmente, como parte da prateleira midiática global. Deixo claro enfim que respeito o trauma vivido por Maria da Graça Meneghel.)
O padrão machista e patriarcal
Fechado o parêntese, penso que analisar literalmente as confissões de Xuxa no Fantástico só é possível se não caímos na cilada das técnicas de confissão midiáticas; cilada programada para que fiquemos presos às confissões individuais de Xuxa, seja como personagem, seja como pessoa real.
A fim de sair dessa cilada, é preciso admitir que a verdade não é individual e que, portanto, a verdade confessada de Xuxa é a verdade do confessionário da máquina midiática ao estilo da TV Globo, como verdade que interessa à civilização ocidental capitalista, que produz tecnologias de supostas verdades individuais, a fim de que não enxerguemos a verdadeira verdade: a verdade sobre o próprio capitalismo ocidental planetário contemporâneo.
É aqui que é necessário ir ao mesmo tempo além da Xuxa, como pessoa real, como Maria da Graça Meneghel, a fim de nos determos na Xuxa como produção subjetiva midiática, midiaticamente coletiva ou midiaticamente produzida para provocar, induzir, despertar verdades subjetivas que interessam à civilização burguesa ocidental contemporânea.
Tendo em vista, pois, a Xuxa como personagem produzida midiaticamente, penso que a verdade literal que deve ser considerada é esta: Xuxa foi agenciada midiaticamente para despertar, provocar e fazer confessar, em carne e osso, a identidade da sexualidade infantil no Brasil, razão pela qual ela pode ser perfeitamente considerada, sob esse ponto de vista, como a maior – a Xuxa como personagem midiática, bem entendido – pedófila do Brasil, se entendemos a pedofilia não apenas como uma violação ou estupro do corpo infantil, mas também e antes de tudo como violação programada do corpo de crianças e de adolescentes, através do estímulo sexual precoce nos moldes do padrão machista e patriarcal, com o claro objetivo de reduzir a libido humana à alienada função sexual associada ao consumo de massa.
Figuras inocentes e extremamente erotizadas
Este, o capitalismo mundial contemporâneo, também designado como sociedade de consumo mundial, é eminentemente pedófilo, pois, a fim de vender suas mercadorias reificadas, necessita sexualizar a tudo e a todos, inclusive a infância, porque, se alguma verdade deve ser confessada, a literal verdade é esta: não existe capitalismo sem exploração publicitária e carnal do dispositivo da sexualidade.
É por isso que, como personagem ou animadora de programas infantis, Xuxa sempre foi uma figura híbrida: mistura de criança inocente e mulher extremamente erotizada e erotizável. É evidente que, consciente ou não, ela contribuiu significativamente para sexualizar precocemente e da pior forma possível milhões de crianças brasileiras.
É preciso entender a pedofilia literalmente como uma espécie de razão encarnada. Sob esse ponto de vista, como não evidenciar a sexualização generalizada da infância, sobretudo da infância pobre? Como fechar os olhos para o que vemos, ao andar pelas ruas das periferias do Brasil: crianças e adolescentes confessando através do corpo, dos gestos, das maquilagens, das roupas, suas híbridas figuras ao mesmo tempo inocentes e extremamente – para não dizer epidermicamente ou “xuxamente” – erotizadas?
A prostituição da rendição ao dinheiro
É por isso que é possível dizer que a verdade da confissão, desde pelo menos os bastidores da Inquisição medieval até as subjetivas confissões encarnadas do mundo burguês contemporâneo, é uma só: a única confissão que as técnicas confessionais admitem é a da mentira ou do desvio em relação à confissão inconfessável: a de que a primeira violação, a mais violenta de todas, é a violação do roubo da riqueza comum, via exploração/extorsão/estupro da riqueza dos povos.
No Manifesto Comunista de 1948, Marx e Engels descreveram singularmente como o contrato social da civilização burguesa transformaria o trabalhador em mera peça na engrenagem geral do lucro concentrado através da fria universalidade do dinheiro. Este seria (e já era) o novo Deus que subjugaria e prostituiria o mundo inteiro por meio da não menos universalização monolítica da relação impositivamente imparcial de compra/venda. Tudo se tornaria – e já era – uma “impessoal” relação de compra e venda, desde a força do trabalho, o corpo vivo do operário, até a sexualidade dos filhos e filhas dos trabalhadores, razão suficiente para afirmar categoricamente que o sexo – e a sexualidade – se transformaria cada vez mais em uma questão de finanças ou econômica, inclusive, portanto, a violação pedófila de crianças e adolescentes – e novamente principalmente a dos filhos e filhas dos trabalhadores.
Não é à toa, a propósito, que Maria da Graça Meneghel jamais confessaria, no Fantástico, a violação de ter sido pobre, tendo passado parte da infância na periferia do Rio de Janeiro, pois foi dessa violação que conseguiu escapar se tornando Xuxa, assim como foi como a midiática personagem ou animadora de auditório, a Xuxa, que encarnou por um bom período a infame violação da infância pobre do Brasil, convocando-a a mistificá-la e contribuindo globalmente para sexualizá-la através da própria mistificação mercadológica, cujo embutido mistificador estava (está) implicado com a tarefa midiática de fazer com que as crianças do Brasil a encarnassem, principalmente o seu Frankenstein lado mulher/lasciva/infância/inocência, como encarnada verdade de que o sexo deve ocupar o lugar da luta por um mundo sem exploração econômica, pois deve ser o exclusivo interesse e fixação de todos nós, inclusive e antes de tudo de nossas abandonas crianças e adolescentes, violados pelo estupro econômico e jogados precocemente ao horizonte sem horizontes da mais vil prostituição, a que nos toca a todos, sem exceção: a prostituição da rendição geral ao dinheiro, este pedófilo da vida ao qual Xuxa não faz a mais mínima menção porque foi e é milionariamente bem paga.
Texto de Luís Eustáquio Soares publicado no site Observatório da Impresa (http://www.observatoriodaimprensa.com.br) no dia 29/05/2012.


Luís Eustáquio Soares é poeta, escritor, ensaísta e professor de Teoria da Literatura na UFES.

BIOGRAFIA APONTA QUE DAVE GROHL É O CARA MAIS LEGAL DO ROCK 'N' ROLL

Ser um roqueiro pressupõe ao menos algum tipo de comportamento transgressor. A figura da estrela do rock é, por definição, e assim tem sido durante toda a história do gênero, a do homem de cabelos compridos, barba malfeita, visual largado, que enche a cara, usa drogas, e tem todas as mulheres do mundo a seus pés. Os Beatles passaram por essa fase, e os Rolling Stones, então, nem se fala. Bob Dylan e Neil Young, idem. O mesmo valia para o glam rock, nos anos 1980, e para o rock alternativo nos 90, década em que o baterista David Eric Grohl se juntou a uma das bandas que mudariam a história do rock para sempre: o Nirvana, extinto com a morte do vocalista Kurt Cobain, em 1994. Hoje, Dave, como é chamado por todos, é uma estrela e lidera um dos grupos mais importantes da atualidade, o Foo Fighters. Mas, do estereótipo de rock star, só lhe sobraram os cabelos longos e a barba. Casado, pai de família e dono de um carisma invejável dentro e fora dos palcos, Grohl é considerado “o cara mais legal do rock”. É uma espécie de novo Paul McCartney, melhor dizendo.

A simpatia do músico é o fio condutor de duas biografias que saem este mês no Brasil: Dave Grohl - Nada a Perder (tradução de Tony Aiex, Edições Ideal, 240 páginas, 35 reais), de Michael Heatley, uma versão atualizada do livro lançado em 2006 nos Estados Unidos e ainda inédito aqui; e a nova This Is a Call: A Vida e a Música de Dave Grohl (tradução de Texto Editores, Editora Leya, 400 páginas, 39,90 reais), de Paul Brannigan, que saiu em 2011 nos EUA e chega agora ao Brasil. Os dois autores são fãs de Grohl e sabem muito sobre o músico. Heatley ainda tem a vantagem de ser um expert em biografias de roqueiros, com livros sobre Bon Jovi, John Lennon e Paul McCartney, entre outros, no currículo. Mas é Brannigan, crítico de música britânico que chefiou a revista Kerrang! em sua melhor fase, quem leva a melhor no trabalho de narrar a trajetória do líder do Foo Fighters. Ainda que profissional, a relação que construiu com ele ao longo dos quase 20 anos em que escreve sobre música o permitiu se aprofundar na história de Grohl. E tirar dele citações ótimas. Não por acaso, uma delas – “Me ligaram e disseram que Kurt tinha morrido. Perdi o rumo” – virou a capa do livro, que compila entrevistas.

“Dave é um cavalheiro. Quando disse a ele que queria fazer o livro, propus que fizéssemos uma biografia autorizada, mas ele não gosta da ideia. Diz que não quer ter uma biografia enquanto estiver vivo. Mas tudo o que precisei fazer, entrevistas e fotos, ele deixou. Essa história do cara mais legal está se tornando um clichê, mas, até que eu conheça alguém mais legal, está valendo. Dave é gente boa mesmo, genuíno, e não só com as pessoas com quem tem de ser bacana. Ele fala com fãs, estranhos e jornalistas do mesmo jeito. Isso é raro, especialmente na música”, diz Brannigan ao site de VEJA.

O autor, é claro, pertence a dois desse grupos. É jornalista e é fã, o que torna a leitura agradável e menos fria para quem não é do meio. Em uma passagem, Brannigan relata a visita que fez à casa de Grohl durante a gravação do álbum Wasting Light, lançado no ano passado. O encontro aconteceu na garagem da casa do músico, no estado americano da Virginia. “Não pude ficar mais tempo, porque eles estavam no meio da gravação e eu poderia atrapalhar. Mas foi muito legal ver as fotos na parede dele, entrar lá e dar de cara com todos aqueles equipamentos de gravação. Muita gente duvida que ele fez o disco todo na garagem, mas é verdade”, conta o autor.

Relevância – Em tempos em que faltam estrelas do rock, Grohl é uma raridade. Embora o Foo Fighters tenha demorado para conquistar status entre os grandes, e ainda há quem duvide que possua, o mérito é todo do músico. Em diversas entrevistas, e conforme Brannigan relata em This is a Call, Grohl ficou transtornado após o suicídio de Cobain. O músico tirou alguns meses para se recuperar, mas, sem ver outra saída para esquecer a morte do amigo, alugou um estúdio de gravação e fez, ali, as músicas que viriam a compor o disco de estreia do Foo Fighters, lançado em 1995. Era o começo de um projeto-solo, que ganhou forma de banda ao longo do tempo.

Desde o começo do Foo Fighters, vários músicos entraram e saíram do grupo, até que ele finalmente ficou completo em 1999, com o baixista Nate Mendel, o baterista Taylor Hawkins e o guitarrista Chris Shiflett – há dois anos, o também guitarrista Pat Smear, que fazia turnê com o Nirvana, se juntou à banda, da qual já havia participado nos anos 1990. No documentário Back and Forth, lançado no ano passado, os músicos culpam o perfeccionismo de Grohl pelas mudanças, algo que Brannigan confirma. “Dave é muito meticuloso”, afirma.

Se o perfeccionismo e a dedicação de Grohl o ajudaram a construir sua fama e a do Foo Fighters, sua habilidade em se juntar a nomes poderosos contribuiu para que o músico fosse visto com seriedade. Uma delas, com o Queens of the Stone Age, banda liderada por Josh Homme, merece crédito especial. A parceria iniciada no começo dos anos 2000 deu fôlego a Grohl, que pensava em acabar a banda após Taylor Hawkins, baterista do Foo Fighters e seu amigo, ter uma overdose quase fatal de remédios, e ainda lhe rendeu um projeto paralelo prestigioso, o Them Crooked Vultures, no qual toca ao lado de Homme e do baixista John Paul Jones, ex-Led Zeppelin. Todos seus amigos do peito. Além de admiradores, é claro. São detalhes como esses que fazem de This Is a Call, a biografia, a confirmação de que Dave Grohl é mesmo “o cara mais legal” do rock.

Informações: Carol Nogueira/ Ricardo Salvalaio.



É HOJE! TRIBUTO A LEGIÃO URBANA NA MTV


As dez da noite de hoje todos sintonizados no canal 28uhf para acompanhar na MTV o "Tributo a Legião Urbana". Hoje o Capitão Nascimento - ou melhor o Wagner Moura - irá assumir os vocais do grupo. A MTV Brasil fará um tributo ao grupo de Brasília com o grupo cantando e tocando seus maiores sucessos. A apresentação em São Paulo que, a princípio, seria em dia único foi estendida em mais um dia, tendo outra apresentação amanhã no mesmo horário (a MTV ainda não decidiu se também transmitirá a apresentação de amanhã).

O ator, fã incondicional da Legião Urbana, também é cantor, onde integra a ótima banda de rock-brega Sua Mãe, com seis amigos de Salvador (ouçam as músicas do Sua Mãe porque é muito legal).Wagner está emocionado com a ideia do show, ele disse a portais da internet:- Eu me sinto exatamente como um fã que foi pinçado no meio da plateia e convidado a estar ali no palco junto com meus grandes ídolos.

A Legião Urbana é a maior banda brasileira de todos os tempos, uma banda que mudou minha vida, e eu me sinto muito privilegiado de ter sido convidado para fazer isso, eu não perco essa oportunidade por nada no mundo. Será que vai ser bom? Vejam os prós e os contras.

Prós

Tudo que é para enaltecer a Legião é válido, até mesmo colocar nos vocais um, digamos, cantor semi-profissional. Ver Dado e Bonfá tocando, ao vivo, será nostálgico. Moura não é mau cantor, ele manda bem na sua banda de rock brega "Sua mãe". Espera-se, com isso, que o baiano não comprometa. Novos fãs podem surgir através deste tributo o que será muito válido.

Contras

Dado, Bonfá e Wagner Moura??? Wagner Moura??? Pensem bem, "trocar" o espetacular Renato Russo pelo Capitão Nascimento é uma afronta a memória do gênio. Moura tem uma péssima voz e não consegue se aproximar a um décimo do que Russo cantava, para tal seria mais adequado que um profissional de verdade fizesse os vocais. Pra quem conheceu a estória de Renato Russo sabe que o cantor detestava esse tipo de coisa, logo homenagens e coisas do tipo estariam fora de cogitação. A própria MTV em suas entrevistas comprovou quando o ídolo dizia "a Legião somos Dado, Bonfá e eu. Sem algum desses não é Legião!". A desculpa que será um fã cantando é pífia: Então poderia ser eu ou você lá no palco não é?

Bem, polêmicas a parte é um programa imperdivel acompanhar este especial de hoje a noite, seja para relembrar a grande Legião Urbana (a Legião de verdade né), seja para ver o desempenho de Wagner Moura.

LOS HERMANOS AO VIVO NO CINEMA!



Mais uma bela ideia surge para os fãs de música e cinema. Se Maomé não pode ir a montanha - ou melhor, Rio de Janeiro - que a montanha venha até Maomé. Essa é a sacada para a transmissão, ao vivo, de shows diretamente pela tela dos cinemas. Quem é fã de Los Hermanos e não conseguiu comprar ingressos – esgotados no Rio de Janeiro e em São Paulo – para acompanhar a turnê que marca os 15 anos de carreira da banda, tem uma boa oportunidade nesta quinta-feira (31). A terceira apresentação do grupo no Espaço Américas, em São Paulo, será transmitida ao vivo para 34 salas de cinema em 21 cidades do país, e Vitória está incluida no roteiro.

Na Capital, o Cinemark do Shopping Vitória vai transmitir, às 22h, o show que conta com 28 canções no repertório, sendo que duas delas são inéditas e cantadas por Rodrigo Amarante. Pelas apresentações realizadas até agora, a abertura deve ser feita com "O Vencedor".

Sucessos como "Pierrot", "Tenha Dó", "Todo Carnaval Tem Seu Fim", "Morena", "Quem Sabe", "Sentimental", "A Flor", "Cara Estranho", "Além do que se Vê", "Último Romance" e "Retrato pra Iaiá" não faltaram nas apresentações. Músicas da carreira solo de Marcelo Camelo, como "Mais Tarde" e "Acostumar" também não devem faltar no repertório.

Quando: Quinta-feira (31), às 22h. Onde: Cinemark Shopping Vitória (Americo Buaiz, nº 200, Enseada do Suá, Vitória). Ingressos: R$ 60 e R$ 30 (meia). Informações: www.ingresso.com.

"LUZ NAS TREVAS - A VOLTA DO BANDIDO DA LUZ VERMELHA" EXCELENTE FILME NO CINE JARDINS!



O filme "Luz Nas Trevas – A Volta do Bandido da Luz Vermelha" está em cartaz no Cine Jardins. O longa conta a trajetória de dois criminosos de São Paulo.

O ótimo filme retrata a trajetória de Jorge Bronze, conhecido pelo codinome Tudo-ou-Nada (André Guerreiro). Ele é filho do famoso Bandido de Luz Vermelha (Ney Matogrosso - excelente no papel), que assaltava casas de ricos paulistanos e foi transformado em ícone pelo jornal Notícias Populares. Por outro lado, aborda a vida de Luz Vermelha em um presídio de segurança máxima, mostrando como ele lida com a fama de ser um dos criminosos mais famosos do Brasil.

É um filme complexo que narra os fatos com veracidade e empenho. Também é válido pela curiosidade de vermos Ney Matogrosso nessa sua nova empreitada como ator. Ele manda bem, não decepciona. Vale a pena!

Shopping Jardins: Rua Carlos Eduardo Monteiro de Lemo, 262, Jardim da Penha, Vitória.
Ingressos: R$ 10 e R$ 5 (meia).
Informações: (27) 3350-2002