sexta-feira, 29 de março de 2013

LICENÇA POÉTICA: JANIO SILVA


Janio Silva é estudante de Serviço Social, começou a escrever poemas influenciado pela cultura Hip Hop e também pelos escritores marginais Ferréz e Sergio Vaz. Os versos críticos e a realidade vivida pela grande camada populacional que vive a margem das condições básicas de vida são características da sua construção poética. Mantém uma pagina no facebook (https://www.facebook.com/LiteraturaMarginalES) onde pode ser encontrada um pouco mais literatura marginal escrita por jovens capixabas. Confira, abaixo, o poema “O Milagre da Poesia”:

O Milagre da Poesia
 
Sentimentos expressos por intermédio de papéis e canetas,
Sentimentos expressos por intermédio de palavras e letras,
Sentimentos escritos e proferidos,
Sentimentos que através do milagre da poesia podem ser transmitidos,
E por corações que não o sentiam até então podem ser sentidos.

LICENÇA PARA CONTAR: POLIANA RODRIGUES CSTRO



Poliana Rodrigues Castro natural de Vitória, capital do Estado do Espírito Santo. É estudante de Ciências Contábeis e em 2001 participou da Coletânea "Poetas da Esperança", idealizada e organizada pelo Rotary Club de Vitória - Praia do Canto.  “Eu sou uma amadora, uma aventureira no mundo das letras, e amo ser amadora, e me aventurar na junção de palavras e formação de frases, que para muitos podem não significar nada e para outros podem ter algum sentido, enfim, escrevo por que gosto, por que tenho o que escrever, é minha súbita loucura exposta em palavras”, revela a autora. Confira, abaixo, o conto “Madalena”:

MADALENA

“A explicação da paixão está em uma garrafa de cerveja, ela sabe as respostas da dor, a dor que no fundo não existe. Ela sabe seus desejos, desejos induzidos, ela te ama e te hipnotiza, para lhe proporcionar prazer”.

Através da janela, escondido atrás da cortina ele a observava, contemplava seu objeto de fascínio e desejo como fazia todos os dias desde que se mudou para aquele lugar. Sua vizinha que habita no apartamento da frente e que por ironia do destino possui a localização do quarto estrategicamente em frente ao seu, proporcionando visões cotidianas, às vezes tediosas e em sua maioria sexuais.

Marcos a contemplava sem remorso, ela era sua Afrodite, sua Diana e todas as personificações possíveis de deusas, e em sua fértil fantasia ela lhe pertencia, ele a possuía a todo o momento e permitia a ela refestela-se com o outro, pois aquilo era seu prazer. Ele escrevia todas as cenas que via e que imaginava da sua diva sem nome, haviam páginas e páginas arquivadas com as histórias frutos de seus pensamentos, seus sonhos e imaginação, sua musa inspiradora era para ele uma mulher extraordinária e somente sua visão já o deixava totalmente exasperado pelo tormento de não poder tocá-la.

Ele mal se alimentava pensando naquela mulher intrigante, e quando o filme em sua janela se iniciava era o paraíso, ele observava as curvas de seu corpo e seus movimentos rítmicos, subia aos céus com a visão de seus seios que pareciam olhar para ele, sabendo de seus segredos, de sua depravação. Escondia-se mais para não ser visto e sentia-se cada vez mais febril de fome pela visão. Corria a seus textos e digitava insanamente cenas que surgiam em sua mente, o fato é que ele nunca havia falado com aquela mulher, nem sabia seu nome, mas a apelidara de Madalena, como uma cigana ela o enfeitiçara com sua beleza, transformou-se em sua fonte de inspiração, ele vivia por espera-la e escrever os acontecimentos sórdidos e banais que sua mente fantasiava eram o alimento para seu espírito.
Entregou-se ao vício do álcool como um refúgio para as vagas horas de espera e neste desespero inconstante e surreal devaneou junto ao inconsciente, futilidades cotidianas.
...

  O estomago rosna, grita insano, pedindo saciação, pedindo feijão.

E a linda mulata atende tão prontamente, juntando a farinha, e saciando a sede com o sangue de Baco.

Oh! Sangue doce este, haja fome! Só não de sabe de que.
...

Diga-me como conseguistes arrancar um pedaço de mim, sem derramar nenhuma gota de meu sangue.

Foi à forma mais cruel, foi intenso e segue sendo a forma mais sublime de me matar.

Se posso viver só? A resposta é não.

Alimento-me das lembranças dos sonhos e do que não vivemos, mas que imagino com perfeição.

Sigo sentindo amor e espero que sejas feliz.

Embriago-me no calor do vinho, e sinto desejos intensos como deve ser uma paixão.

Espero por ti e sonho.
...

Permita-me sentir uma ultima vez o teu gosto e contemplar, fotografando em minha mente cada milímetro de teu rosto.

E possuir como se fosse à primeira vez o teu corpo.

Perdoe essa minha alma escrava do desejo por ti
Que procura intensamente em outros corpos saciar a sede de sua saliva
Do cheiro de tua pele, do teu sabor proibido.

Liberta-me dessa obsessão de ter alguns instantes perto de você.
Liberte-se de mim, pois a loucura possuidora de minha alma destruíra a todos.

Como faz em meu interior.

Porém, se por ventura, decidir mudar seus planos.

Devorarei tua carne e beberei teu sangue
E em sacrifício do meu amor por ti.
Permita-me imortalizar-te em mim.

(Fragmentos dos textos de Marcos)

Os dias eram frios... Apesar do sol brilhante, os dias eram frios.

Marcos levantou naquela manhã como sempre fazia, sua vida seguia uma rotina deprimente, sentia-se como um robô programado para fazer sempre o mesmo, isso o estava corroendo, ele queria gritar, dizer aos quatro cantos do mundo que se sentia parte de algo maior, que não queria ser mais uma pessoa sem emoção, sem vida e sem lembranças de momentos felizes. Queria viver sua vida de amor, de poesia, de música, arte e boêmia, ele queria acordar cedo, ir a praia, produzir seus textos e lá pelas tantas tomar uma cerveja, olhando as sereias que eram sua fonte de inspiração.

Mas o destino traiçoeiro e brincalhão conduziu um enredo diferente para aquele humilde rapaz, o pobre moço acorda com um barulhento despertador toda manhã, e segue esta rotina de segunda a sábado. Sonolento caminha para o banheiro onde se apronta ligeiro, logo depois toma um café requentado e vai todo apressado a quitanda do seu Zé dos centavos.
Marcos pensa que a sorte é uma víbora que brinca com os destinos, fazendo dos sonhos pó e do pó sonhos. Ele que sonhara ser um escritor conhecido, e agora para continuar existindo, não pode se dedicar totalmente ao que lhe proporciona prazer.

E por capricho do destino conseguiu que seu Zé dos centavos homem conhecido por sua avareza, lhe empregasse na quitanda do bairro; “Fome não passaria!”.
Todo dia Marcos trabalhava meio expediente na quitanda e quando dava sua hora de partir sorria e se despedia, caminhando de volta para o pequeno apartamento que dividia com um amigo recente, um homem chamado Luiz.

As lembranças da forma como se conheceram sempre o faziam rir, uma noite qualquer, em um bar por ai, estava Marcos observando o movimento da noite, pessoas rindo, dançando, bebendo, fumando e eis que de repente surge Luiz, pede licença para sentar-se com Marcos, diz que não suporta beber sozinho, faz um comentário sobre a noite, começam a discutir temas banais e logo descobrem que compartilham coisas em comum.
A primeira coisa: ambos procuravam uma casa para alugar com urgência, Luiz disse a Marcos que havia chegado à cidade há alguns dias, que conseguiu trabalho em uma livraria e que estavam hospedados na casa de parentes distantes, uns primos de sua mãe.
A segunda coisa: Possuíam recursos escassos, o custo de vida naquela cidade era alto, mas ali a sorte sorria melhor para todos, era arriscar ou conformar-se em não tentar e coragem não faltava aos dois.

A terceira coisa: Precisavam de privacidade para colocar seus planos em prática, Marcos para produzir, e Luiz pretendia estudar, se especializar. Era um termo cômodo no acordo.
A quarta: Amavam a noite e toda a magia e sensações que somente um copo de cerveja, uma conversa agradável e uma bela melodia ao fundo podem proporcionar.
O acordo de unir forças foi abençoado e logo conseguiram aquele apartamento no segundo andar de um prédio antigo, em uma rua predominante de moradias, onde havia também uma padaria e um bordel que ficava na esquina.

─ Ah! O puteiro da Carlotinha.

Um antro de ninfas do prazer, os antigos moradores da região contam que diversos casamentos tiveram seus alicerces abalados depois que o bordel se instalou ali. Marcos visitou o lugar uma vez junto com seu amigo Luiz, o lugar tinha uma luz bruxuleante, finos tecidos estampados em tons vermelho e laranja se espalhava pelo ambiente e tornavam a decoração do lugar excitante, nas paredes havia alguns quadros com posições do kama sutra e uma reprodução de um quadro de Lautrec onde há uma mulher de cabelos ruivos e de nádegas avantajadas agachadas. Era realmente um convite a luxuria, ao pecado e ao prazer.
Carlotinha, como era conhecida a dona do bordel, uma figura encantadora apesar de sua idade já avançada, que Marcos nem ousava tentar estimar. Havia as moças que na casa moravam e que foram apelidadas pelos frequentadores de “Filhas de Afrodite” por proporcionarem prazeres mitológicos.

Ali era um ótimo lugar para relaxar e aproveitar os prazeres da carne, isso para os homens que apreciam a depravação e o prazer desvirtuado. Marcos não era casto, mas tinha alma de poeta sonhador e idealizava viver um grande amor, evitava o quanto possível ter relações que traiam esse princípio romântico de sua natureza, mas gostava de ir ao puteiro da Carlotinha (como ele se referia ao lugar), para se inspirar, para descrever poeticamente o pecado, a libido o desejo que se apoderava do homem em sua forma mais devassa.

...

“Me Pergunto onde está a inspiração
Busco-lhe
Venha a mim
Para que minha alma obscura irradie a luz da paixão
Luz que um dia brilhou, através das palavras do coração”

...

Sentado como um rei observo
Desbravadores a procura de um tesouro
A fonte inesgotável de prazer
Com suas mãos escalam montes curvilíneos
Picos perigosos para os principiantes nas artes do prazer
Estes afogam-se nas salivas lascivas e se perdem
O caminho é longo e abundante ao oferecer a mais bela vista que um homem pode querer
E quando a longa caminhada cobra seu preço
A sede vem queimando a garganta de uma forma desesperadora
E ao encontrar a fonte da ninfa adorada
Esbaldar-se-á no âmago de sua adoração com lábios ávidos
Língua nervosa, frenética por saciar-se
E ao ouvir o brado final
Recolhe enfim a ultima gota, sua recompensa por sua expedição noturna.

(Fragmentos dos textos de Marcos)

De volta ao reduto, Marcos aguardava em seu lugar estrategicamente posicionado a aparição de sua madalena, e lá pelas tantas ela surgia, com sua beleza etérea, longos cabelos negros como a noite, rosto sublime, angelical.
Ela olhava pela janela em sua direção, como se pudesse vê-lo escondido pelas frestas das persianas de sua janela. Madalena tirava sua roupa com um sorriso misterioso nos lábios, um olhar intenso e safado e logo mãos começaram a alisar seu corpo nu.

Aquelas mãos pertenciam ao outro, o homem que sempre a possuía, seu marido.
Eram cenas intensas que rasgavam o coração de marcos, estimulavam seu desejo e desesperava seu ciúme, misturas de sentimentos controversos o possuíam de forma tão intensa, e escrevia as imagens, o desejo, os sonhos em papéis aleatoriamente.
Sua rotina assim seguia desequilibrada trabalhava, vadiava, observava e  escrevia. Com o passar do tempo as coisas foram se tornando vazias, como se algo o consumisse e deixasse um buraco no seu interior, pois o que o saciava, hoje provoca mais fome, uma vontade de mais, sem saber mais do que.

E desta forma preferia ficar observando Madalena sempre que podia, todos os dias, obsessivamente, era o que aliviava suas emoções, a ideia de tê-la em seus braços era avassaladora, um imã que o levava a loucura, todos os dias, mais e mais.
Vislumbrava em sua memória o corpo de Madalena, o seu rosto, suas curvas, imaginava o suor escorrendo pelos seios enquanto ela deslizava suavemente em seus braços, sussurros ao pé do ouvido, seu nome em uma voz feminina, doce, suave e arfante e acordava do sonho como um adolescente na casa da puberdade.

Passaram-se dias e meses nesta insanidade, até o fatídico dia, em que Marcos acordou totalmente perdido no tempo, há tempos não via seu amigo Luiz, ambos seguiam seus caminhos, e o de Marcos foi o da auto reclusão, sua necessidade de acompanhar Madalena a distância. Naquela manhã porém Madalena não apareceu, e durante todo o dia foi assim, Marcos pregado na Janela, aguardando uma visão de sua amada, e não havia sinais dela no apartamento da frente.

O desespero tomou conta de marcos que fez vigília durante toda a noite e na manhã do dia seguinte, já tomado por uma loucura, saiu de seu apartamento decidido a descobrir onde estava Madalena, desceu as escadas, passou pelo porteiro acenando a cabeça, atravessou a rua, e encontrou-se diante do prédio de madalena.
Cumprimentado com um bom dia, sorriu ao porteiro e perguntou se ele saberia informar se a moça que morava no prédio do terceiro andar estava em casa.
O porteiro fez uma cara de surpresa e logo respondeu que há um ano não havia ninguém morando no terceiro andar, perguntou se Marcos não estava enganado quanto ao apartamento da moça em questão.

Marcos convicto disso que tinha certeza que era no do terceiro andar, que era uma moça de cabelos negros.
O porteiro então o levou até o apartamento do terceiro andar, abriu as portas e disse:
─ Este apartamento está fechado, a família do antigo dono colocou a venda com tudo dentro, mas quando as pessoas sabem da desgraça que ocorreu aqui, desistem, ninguém quer comprar.
─A moça que o senhor veio procurar é esta? ─ Perguntou apontando para um porta retrato.
─ Marcos viu a imagem de Madalena sem entender, ele tinha certeza que era ela.
─ O que aconteceu? ─ Perguntou ao porteiro.
─ Em uma noite, o marido ciumento a matou e se matou logo em seguida, foi uma tragédia.

Marcos não acreditava nas palavras do porteiro, tentava encontrar uma resposta para aquela loucura, foi andando pelo apartamento, entrou no quarto e olhou a janela agora fechada, caminhou até ela e abriu, tendo a vista para seu quarto, e quando olhou fixamente a viu, como se estivesse esperando por ele, no lugar onde sempre a imaginou, em seu quarto.
Saiu desatinado do apartamento, agradecendo ao porteiro enquanto ia desesperado ao encontro de madalena, jogou-se a correr pela rua e foi atingido por um carro, sendo lançado longe na calçada, Marcos desfalecendo olhou para sua Janela e viu longos cabelos negros esvoaçados, seus escritos lançados ao vento, todo seu trabalho caiam, alguns sobre seu sangue e ouviu uma gargalhada de Madalena e antes de fechar os olhos e morrer ouviu a voz com que tanto sonhara sussurrar.

─ Agora você é meu.

MARCELO MARROM E RODRIGO CAPELLA NO ES. CONFIRA.

Os comediantes , remanescentes da Cia de Humor Deznecessários, desembarcam no Espírito Santo em abril, para apresentar o espetáculo ‘Comédia em preto & branco’. As apresentações acontecem nos dias 05, no Teatro Pitágoras, em Linhares, 06, no auditório da Faculdade Vale do Cricaré e dia 7 de abril, no Teatro Marista, em Vila Velha. Saiba mais.

 

Marcelo Marrom e Rodrigo Capella apresentam "Comédia em preto & branco" em Linhares, São Mateus e Vila Velha

‘Comédia em preto & branco’ reúne música, esquetes e uma dose de improviso. Segundo Marcelo Marrom, tudo que acontece na peça foi descoberto no palco. “Nunca houve um ensaio”, diz. “Se temos uma idéia e a achamos boa, levamos pro palco e testamos”, reforça Rodrigo Capella.

Há um ano e meio na estrada, o espetáculo já visitou mais de 140 cidades em todo o Brasil. É a primeira vez que a peça, que integra o projeto ‘Comédia na Estrada’, da produtora Caxola - Usina de Ideias é apresentada no Espírito Santo.

O elenco

Marcelo Marrom é músico e humorista. Há cerca de seis anos descobriu, com o grupo Deznecessários, uma veia humorística que deu novos rumos pra sua vida. Hoje com 41 anos, Marrom se diz extremamente realizado em sua profissão. Além do show ‘Comédia em preto & branco’, ele é o responsável pelas risadas no programa Altas Horas, da Rede Globo.

Rodrigo Capella é ator formado no curso de teatro Incenna e encontrou no humor a melhor forma de se expressar. Ele escreve seus próprios textos, mas não se limita somente a interpretá-los. No ‘Comédia em preto & branco’ ele contribuiu na concepção do cenário, luz e som, além de compor a trilha que costura a peça. Recentemente ele dividiu as telonas dos cinemas com Bruno Gagliasso e Laura Neiva, no filme ‘D.E.S’. Peça ‘Comédia em preto & branco’, com Marcelo Marrom e Rodrigo Capella

Datas: 05/04: Linhares - Teatro Pitágoras (Rua. Cap. José Maria, 250 - Araçá)
06/04: São Mateus - Faculdade Vale do Cricaré (Rua Venezuela, 01, Bairro Universitário)
07/04: Vila Velha - Teatro Marista (Rua Antônio Ataíde, 879, Centro)

Ingressos: R$ 25 (antecipados, limitados a 50% da plateia), R$60 (inteira) e R$30 (meia entrada, válida para estudantes, idosos, doadores de sangue, atores, professores da rede pública de ensino, clientes Cartões Dacasa e Dacasa Financeira)

Pontos de venda: Lojas Dacasa Financeira (Linhares, São Mateus, Reta da Penha e centro de Vila Velha), Focas Surfshop (Shopping Praia da Costa), Loja Billabong (Shopping Vitória) e Café Bamboo (Praia do Canto), pela internet, no site www.comedianaestrada.com.br e na bilheteria dos teatros, a partir das 16 horas no dia de cada espetáculo.

Informações: (27) 9902-3777 / www.comedianaestrada.com.br

Retirado de: Folha Vitória

ESPETÁCULO "CHICO PREGO" EM CARTAZ NO TEATRO CARLOS GOMES NESTE FIM DE SEMANA.



Inspirada na saga da Insurreição de Queimado, a peça "Chico Prego" será apresentada no Theatro Carlos Gomes nos próximos dias 30 e 31 de março. O projeto da peça, que é da Companhia Makuamba, foi um dos contemplados pelo Edital de Residência em Teatro da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo em 2012. O espetáculo terá início às 20 horas e os ingressos custam R$ 10,00 (meia) e R$ 20,00 (inteira).

A peça "Chico Prego", que também já foi encenada na Escola de Teatro, Dança e Música - Fafi, é uma história carregada de expressões populares, como o congo, jongo e a capoeira, e conta a história do escravo Chico Prego, personagem lendário que ficou conhecido após lutar pela liberdade dos escravos na Insurreição de Queimado, evento histórico e palco de acontecimentos dramáticos ocorridos em São José de Queimado, na Serra.

Conheça a história

O espetáculo "Chico Prego" narra a história de Frei Gregório de Bene, italiano e encarregado da instrução da população local. Em seus sermões, condenava a escravidão e o tratamento desumano conferido aos escravos. O próposito de construir uma Igreja na região, mesmo sem possuir recursos para tal, fez com que o Frei prometesse liberdade aos escravos caso estes participassem de sua construção.

Animados com a proposta, os negros trabalharam durante todo o processo de construção da Igreja. Na inauguração, porém, a promessa de liberdade não foi cumprida e os rebeldes se refugiaram, sendo alguns capturados e outros mortos. Os escravos, liderados por Chico Prego e Elisiário, travaram uma sangrenta luta pela liberdade, que culminou em centenas de mortos.

Pesquisas revelam que um grupo de negros fugitivos seguiu para diversas regiões do Estado formando novos Quilombos. Entre os mais conhecidos está o Morro do Moxuara, em Cariacica, formando o povoado denominado de Piranema, principal reduto das bandas de congo, um ritmo musical africano que só existe no Espírito Santo.

SERVIÇO

Espetáculo “Chico Prego”

Data: dias 30 e 31 de março
Horário: 20 horas
Ingresso: R$ 20,00 (inteira) /R$ 10,00 (meia)
Local: Theatro Carlos Gomes
Tel: 3132-8399

RUBEM FONSECA. CONFIRA, NA ÍNTEGRA, O FILME "BUFO E SPALLANZANI".



“Bufo & Spallanzani” é um filme brasileiro de 2001, do gênero drama, dirigido por Flávio R. Tambellini. O roteiro é baseado no livro homônimo de Rubem Fonseca, e escrito por Rubem Fonseca, Patrícia Melo e pelo diretor.

Ivan Canabrava (José Mayer) é um detetive da Companhia Panamericana de Seguros que está investigando o caso de um fazendeiro, que morreu pouco após fazer um seguro de um milhão de dólares. Desconfiado de que a empresa onde trabalha esteja sendo vítima de uma fraude, Ivan passa a investigar a viúva e descobre, no apartamento do casal, um sapo morto e uma planta exótica. Pesquisando sobre o assunto com a ajuda do cientista Ceresso (Juca de Oliveira) e a jovem Minolta (Isabel Guerón), Ivan passa então a se envolver cada vez mais com suas investigações, o que desagrada seu chefe (Gracindo Junior).

Confira, abaixo, este grande filme do nosso cinema:

ITAMAR ASSUMPÇÃO. CONFIRA, NA ÍNTEGRA, O DOC. "DAQUELE INSTANTE EM DIANTE".


"Daquele Instante em Diante" documenta em profundidade a vida e a trajetória artística do músico e poeta Itamar Assumpção, morto em 2003 de câncer aos 53 anos. Ele foi um dos pilares de um momento da música popular brasileira que se convencionou chamar de "Vanguarda Paulista". Dono de uma personalidade vulcânica, Itamar construiu sua obra magistral de forma praticamente independente, à revelia da indústria cultural - e estabeleceu com ela, desde cedo, uma relação turbulenta. Íntegro e muitas vezes bem intransigente, sua postura lhe custou o rótulo de "maldito" e acabou por colocá-lo à margem (muitas vezes de forma dolorosa) do que se entendia por "sucesso comercial" (sucesso Itamar fazia a seu modo, com shows lotados e longas temporadas em São Paulo, turnês pela Europa...).

Partindo de uma pesquisa extensa que resultou em mais de 250 horas de imagens (muitas antológicas e inéditas) e de um mergulho no universo pessoal deste incrível artista, o filme apresenta suas várias facetas: o compositor, poeta, arranjador, o performer apaixonado por orquídeas, o pai de família, o iconoclasta, refém de clichês como o "gênio incompreendido". Itamar vem à tona através de uma trama poética, intuitiva, onde fatos e depoimentos falam mais alto que idéias preconcebidas.

FICHA TÉCNICA

Realização: INSTITUTO ITAÚ CULTURAL E MOVIEART
Direção: ROGÉRIO VELLOSO
Produção executiva: CAROL DANTAS
Roteiro de edição: GEORGE QUEIROZ
Montagem: GEORGE QUEIROZ / ROGÉRIO VELLOSO / PAULO MENDEL
Pesquisa de conteúdo: MAURICIO PEREIRA
Pesquisa de imagens: SOLANGE SANTOS
Direção de produção: CRISTIANNY ALMEIDA
Assistente de direção e decupagem: MARIANA FAGUNDES
Fotografia: HELCIO "ALEMAO" NAGAMINE
Câmera: HELCIO "ALEMÃO" NAGAMINE / ROGÉRIO VELLOSO / MARIANA FAGUNDES / DIEGO GARCIA
Edição de som e mixagem: SERGIO FOUAD

ESTREIA HOJE, O IMPERDÍVEL DOCUMENTÁRIO "O DIA QUE DUROU 21 ANOS".


Flávio Tavares tem 78 anos e uma história de luta contra o regime militar que governou o Brasil a partir do golpe de 1964

Ele estava entre os presos políticos que foram trocados pelo embaixador norte-americano Charles Burke Elbrick, sequestrado pelo MR-8 em 1969. Nos anos 1970, esteve exilado no México, onde nasceu seu filho Camilo, o diretor do documentário O Dia que Durou 21 Anos. Flávio Tavares assina a produção e é também o autor das entrevistas vistas ao longo do filme. A pedido do Jornal Zero Hora, ele enviou o depoimento a seguir sobre o projeto:

“Descobrir segredos nos faz voltar à juventude e assim ocorreu com ‘O Dia que Durou 21 Anos’. A partir de velhos documentos que eu guardara desde 1977, no governo Carter, meu filho Camilo pesquisou os arquivos norte-americanos e lá encontrou coisas estarrecedoras sobre o golpe de Estado de 1964, que instituiu a ditadura no Brasil. Naqueles anos, eu era colunista político em Brasília da Última Hora, o único jornal que não apoiou o golpe, mas não sabia da dimensão e da profundidade da participação direta dos Estados Unidos. Achávamos que, no máximo, eles tinham ‘simpatizado’ com o golpe militar e, depois, mantido a ditadura, até que em 1977 o presidente Jimmy Carter mudou o rumo e a verdade começou a surgir. O filme revela o que se escondeu durante quase meio século. O golpe que levou à ditadura foi arquitetado pelo governo dos EUA e pela CIA em todos os detalhes. A esquadra dos Estados Unidos se mobilizou pelo mar e até a escolha do general Castelo Branco como presidente surgiu de sugestão do adido militar dos EUA, coronel Vernon Walters, que preparou as operações, sob as ordens do embaixador Lincoln Gordon. Parece fantasia, mas é verdade. Os norte-americanos documentam tudo e gravam até as conversas do presidente com seus assessores na Casa Branca, tal qual mostra o filme. Ao iniciar o longa-metragem, Camilo, o diretor, queria saber por que nascera no exílio, no México, e não na terra dos seus pais. Acabou revelando o passado oculto do Brasil, e eu próprio voltei a 1964, quando tinha 30 anos. Voltei à mocidade por saber da verdade.” (Flávio Tavares)

(O texto acima faz parte da matéria publicada em 28 de março de 2013 no Segundo Caderno do Jornal Zero Hora, que traz três páginas sobre o documentário O Dia que Durou 21 anos que estreia hoje em várias capitais do Brasil).

Veja o trailer do filme: