sexta-feira, 28 de junho de 2013

PROGRAMAÇÃO CINE JARDINS – 28 DE JUNHO A 04 DE JULHO DE 2013


O Cine Jardins é um cinema especializado em arte cinematográfica. Com uma programação selecionada que preza pela qualidade, o conteúdo e a diversidade, exibe as melhores produções cinematográficas realizadas ao redor do mundo, premiadas em festivais internacionais e distinguidos pelo trabalho de direção ou trajetória nos circuitos alternativos de cinema. Confira a ótima programação:
- CAMILLE OUTRA VEZ
Camille Redouble – França, 2012 – 115 min.
Sala 1
Todos os dias – 21h15
Classificação – 14 anos
Gênero – Comédia Dramática
Camille Vaillant (Noémie Lvovsky) conheceu Eric (Samir Guesmi) aos 16 anos. Ele foi o primeiro e o último homem em sua vida. Eles se apaixonaram loucamente e, ainda na adolescência, tiveram uma filha. A mãe de Camille nunca soube que seria avó, pois morreu poucas horas antes dela lhe contar. Anos depois, Eric troca Camille por uma mulher mais jovem. Às vésperas do Ano Novo, Camille, de repente, se vê novamente no passado, aos 16 anos, e reencontra seus pais, sua casa de infância, sua escola, seus amigos, seus professores e Eric. Escrito, dirigido e protagonizado por Noémie Lvovsky.
Nota do jornal O Globo (crítico Ruy Gardnier): * * * (Bom)
- INFÂNCIA CLANDESTINA
Infância Clandestina – Argentina/Brasil/Espanha, 2011 – 112 min.
Sala 1
Todos os dias – 19h05
Classificação – 14 anos
Gênero – Drama
Argentina, 1979. O menino Juan (Teo Gutiérrez Romero), de 12 anos, vive na clandestinidade da mesma maneira que seus pais e seu tio Beto (Ernesto Alterio). Na escola, ele é conhecido como Ernesto e encontra María (Violeta Palukas), de quem sabe apenas o nome. Dirigido por Benjamin Ávila, em 2013 representou a Argentina na disputa pelo Oscar de Melhor Filme Estrangeiro.
Nota do jornal O Globo (crítico André Miranda): * * * * * (Excelente)
- ALÉM DO ARCO-ÍRIS
Au Bout du Conte – França, 2013 – 112 min.
Sala 1
Todos os dias – 17h00
Classificação – 14 anos
Gênero – Comédia Dramática
Aos 24 anos, Laura (Agathe Bonitzer) ainda espera pelo príncipe encantado. Quando conhece Sandro (Arthur Dupont) em uma festa, acredita que é o homem de seus sonhos. Novo filme de Agnès Jaoui, diretora de “O Gosto dos Outros” e “Enquanto o Sol Não Vem”.
Nota do jornal Folha de São Paulo (crítico Sérgio Alpendre): * * * (Bom)
- REINO ESCONDIDO
Epic – EUA, 2013 – 104 min.
Sala 1
Apenas Sábado e Domingo – 15h00
Classificação – Livre
Gênero - Animação/Infantil – Dublado/2D
A adolescente Mary Katherine (Amanda Seyfried) é magicamente transportada para um universo secreto e vai precisar contar com a ajuda dos seres fantásticos que o habitam para conseguir salvar o mundo dos humanos e este novo reino descoberto de uma força maligna, que ameaça destruir a Terra.
Matinê Cine Jardins: Nesta sessão todos pagam meia – R$ 8,00
- A CAÇA
Jagten – Dinamarca, 2012 – 115 min.
Sala 2
Todos os dias – 21h05
Classificação – 14 anos
Gênero – Drama
Lucas (Mads Mikkelsen) trabalha em uma creche. Simpático e amigo de todos, ele tenta reconstruir a vida após um divórcio complicado, no qual perdeu a guarda do filho. Tudo vai bem até que, um dia, uma de suas alunas inventa à diretora da creche que Lucas lhe mostrou suas partes íntimas. A acusação logo faz com que ele seja afastado do trabalho e, mesmo sem qualquer tipo de comprovação, seja perseguido pelos moradores da cidade em que vive. Novo filme de Thomas Vinterberg, fundador do movimento DOGMA 95 juntamente com outros diretores, como Lars Von Trier. Filme vencedor dos prêmios de Melhor Ator (Mads Mikkelsen), Prêmio Ecumênico do Júri e “Vulcain Prize for the Technical Artist” no Festival de Cannes. Também foi indicado à Palma de Ouro.
Nota do jornal O Globo (crítica Susana Schild): * * * * * (Excelente)
Nota da revista Veja (crítica Isabela Boscov): * * * * * (Excelente)
- REALITY: A GRANDE ILUSÃO
Reality – Itália/França, 2012 – 110 min. - ESTREIA
Sala 2
Todos os dias – 18h55
Classificação – 14 anos
Gênero – Comédia Dramática
Luciano (Aniello Arena) é um peixeiro napolitano que complementa sua modesta renda, junto de sua esposa Maria, aplicando pequenos golpes. Com o sonho de enriquecer, ele cria uma fixação em participar da versão italiana do reality show Big Brother. “Reality” é uma obra madura, com forte crítica social e ótimo desfecho. Uma grande fábula moderna sem final feliz. A mensagem do filme é simples e direta: seja bem-vindo à realidade, nua e crua, da classe trabalhadora que precisa de sonhos para superar as dificuldades de sua melancólica rotina. Dirigido por Matteo Garrone, do premiado “Gomorra”.
Nota do jornal O Globo (crítico Rodrigo Fonseca): * * * * * (Excelente)
- A DATILÓGRAFA
Populaire – França, 2012 – 105 min.
Sala 2
Todos os dias – 16h50
Classificação – 14 anos
Gênero – Comédia Romântica
Aos 21 anos de idade, Rose Pamphule (Déborah François) mora com seu pai e estar prestes a casar com o pacífico filho de um garagista. Ela poderia virar uma dona de casa, mas a jovem tem planos mais ambiciosos. Ela sai de sua cidade e tenta um emprego de datilógrafa no escritório de seguros de Louis (Romain Duris). Mesmo diante de suas habilidades como secretária fraquíssimas, o homem fica impressionado com a velocidade com a qual Rose consegue digitar. Logo, o espírito competidor de Louis é despertado: ele decide aceitar Rose como sua secretária, contanto que ela treine para participar da competição de datilógrafa mais rápida do país.
Nota do jornal O Globo (crítico Arnaldo Bloch): * * * * (Ótimo)
- A FUGA DO PLANETA TERRA
Escape from Planet Earth – Canadá/EUA, 2013 – 104 min.
Sala 1
Apenas Sábado e Domingo – 15h00
Classificação – Livre
Gênero - Animação/Infantil – Dublado/2D
Scorch Supernova (Brendan Fraser) é um herói interplanetário, cujas façanhas costumam ser televisionadas para o deleite de seus fãs ardorosos. Com a ajuda do nerd Gary (Rob Corddry), diretor da Missão Basa Control, Scorch torna-se uma lenda e conquista o amor da bela repórter de televisão Gabby Babblebrock (Sofía Vergara) e a devoção do sobrinho Kip (Jonathan Morgan Heit). Quando a chefe da Missão Basa, Lena (Jessica Alba), intercepta um pedido de socorro vindo do Planeta Escuro, Scorch enxerga a missão de resgate como a grande chance de sua carreira. Gary, no entanto, tenta desencorajá-lo, uma vez que nenhum ser jamais conseguiu voltar do mundo distante (também conhecido como “Terra”). Mas, quando Scorch se dá conta de que foi atraído para uma armadilha mortal preparada pelo líder paramilitar General Shanker (William Shatner), talvez seja tarde demais.
Matinê Cine Jardins: Nesta sessão todos pagam meia – R$ 8,00
SERVIÇO

Cine Jardins (Shopping Jardins). Rua Carlos Eduardo Monteiro de Lemos, 262, Jardim da Penha, Vitória/ES, CEP 29.016-120. (27) 3026-8099 (14h-22h).

Preços:

Segunda, terça e quarta: R$12 (inteira) / R$ 6 (meia)

Quinta e sexta: R$ 14 (inteira) / R$ 7 (meia)

Sábado, domingo e feriados: R$ 16 (inteira) / R$ 8 (meia)





quinta-feira, 27 de junho de 2013

HOJE TEM VANDER COSTA NO 'CAFÉ COM LETRAS'



Nesta quinta-feira, 27, a partir das 19 horas, apresenta-se na 2ª Edição do Café com Letras o escritor Vander Antonio Costa. Bacharel em Filosofia, Vander também usa seu tempo para escrever poesias e já tem duas publicações produzidas com apoio da Lei de Incentivo à Cultura da Prefeitura Municipal de Vitória, “Lei Rubem Braga”. Veja mais.

No Café com Letras, o autor lança a obra “Eu feito de Nós”, seu segundo livro de poesias. Na obra, ele retrata a ‘precariedade da existência humana’ e seu foco segue as questões existencialistas. Para o autor, “a criação poética envolve-se com um determinado tipo de olhar que podemos alcançar na nossa relação com os demais seres, sejam eles concretos ou imaginários, e este olhar é possível, quando conseguimos ir além do nosso olhar já condicionado pela tradição”, afirma Vander.

Serviço
2ª Edição do Café com Letras no Shopping Norte Sul – Seu encontro semanal com a literatura
Horário: 19 horas às 22 horas
Data: Até dia 01/08 (Todas as quintas-feiras)
Nesta quinta-feira (27/06) – escritor Vander Antonio Costa
Local: Shopping Norte Sul – Primeiro Piso



ANÁLISE DA CANÇÃO "QUE PAÍS É ESSE" (LEGIÃO URBANA)


QUE PAÍS É ESSE
(Composição: Renato Russo)

Nas favelas, no Senado

Sujeira pra todo lado
Ninguém respeita a Constituição
Mas todos acreditam no futuro da nação
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

No Amazonas, no Araguaia iá, iá,

Na baixada fluminense
Mato grosso, Minas Gerais e no
Nordeste tudo em paz
Na morte o meu descanso, mas o
Sangue anda solto
Manchando os papeis e documentos fieis
Ao descanso do patrão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Terceiro mundo, se foi

Piada no exterior
Mas o Brasil vai ficar rico
Vamos faturar um milhão
Quando vendermos todas as almas
Dos nossos indios num leilão
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?
Que país é esse?

Que país é esse (URBANA, 1987, Encarte p. 6)

Sobre essa música, disse Renato: “Aquela pergunta não é uma pergunta, é uma exclamação! Porque quem me diz que país é este são as pessoas que vivem aqui. A gente tem um material fabuloso a ser trabalhado aqui no Brasil. A gente percebe certas coisas: tem muita gente trabalhando, tem muita gente fazendo muita coisa boa. O Brasil é também um país de Primeiro Mundo. Aqui , num raio de dez quilômetros, vai ver quantas locadoras de vídeos têm. É Primeiro Mundo também! Agora, só para uma parte das pessoas.(1989)” (RUSSO, 2000, p. 209-210).

Uma música escrita em 1978 para o então Aborto Elétrico, primeira banda de Renato, só lançada em disco em 1987 no terceiro trabalho da Legião Urbana. Já no encarte a própria banda comenta as músicas demonstra que apesar de serem canções antigas, ainda são atualíssimas no atual cenário político-social: “as letras dessas nove canções refletem uma ingenuidade adolescente mas só por terem sido escritas há quase nove anos atrás. A temática continua atual, às vezes até demais”(URBANA,1987, p.3).

Ainda no encarte a banda registra seu pensamento em relação a essa música de ritmo tribal, de três acordes e muitos riffs de guitarra: “(...) Seu refrão (com direito a ô, ô, ô, ô e participação do público) é simples, direto e eficaz. Nunca foi gravada antes porque sempre havia a esperança de que algo iria realmente mudar no país, tornando-se a música então totalmente obsoleta. Isto não aconteceu e ainda é possível se fazer a pergunta do título, sem erros” (idem, p. 5).

Exclamação ou pergunta, a pontuação é a mesma: uma reflexão sobre a situação do país. A irreverência está não só por ter sido composta em 1978, plena ditadura militar como, sobre tudo, na sua constante contemporaneidade, e ainda hoje, aproximando do fim da primeira década do século XXI, há muita sujeira para todos os lados da sociedade.

Postas numa mesma sentença, favela e Senado não se distinguem. No verso seguinte o motivo da semelhança “Sujeira pra todo lado”. Em dois extremos: o lugar de todo poder (aqui o Senado pode muito bem representar os três poderes) e o lugar de poder nenhum. Mas se acrescentarmos às favelas a figura de poder do traficante, onde ele quem faz e executa as leis, julga e condena, protege e violenta o povo, verificamos que essa comparação não é tão paradoxal. O lixo que povoa os dois lugares. Não há uma só “qualidade” de lixo. É o lixo moral, o lixo comercial, o lixo intelectual, enfim, lixo representando tudo aquilo que não presta. No verso seguinte, a canção sentencia: “Ninguém respeita a constituição”, nenhuma pessoa respeita a constituinte, a carta magna, o que regulamenta a nação. Nem mesmo os que criam e votam as leis muito menos àqueles que deveriam vivenciar tais leis. Até aqui a letra apresenta uma visão niilista da situação, está tudo um caos nos vários setores da sociedade. Contudo, no verso seguinte, há um operador “mas”, onde tudo o que fora dito primeiramente, que é de conhecimento de todos os interlocutores, posto como argumento possível, é ligado (ironicamente) por um argumento decisivo “todos acreditam no futuro da nação”, dando uma idéia de “estática”. Por mais que as coisas estejam ruins, ainda há a esperança de que tudo vai ser melhor num futuro, que como propõe a contemporaneidade da canção, nunca chega.

O refrão é cantado de forma visceral e a cada aclamação não faltam pessoas a definirem que país é este. Os próximos versos mostram a dimensão do “ninguém” e do “todos”, em todas as partes do país, em suas mais diversas regionalidades e diferentes culturas, tudo está em paz:

No Amazonas, no Araguaia iá, iá,
Na Baixada Fluminense
Mato Grosso, nas Gerais e no
Nordeste tudo em paz

Mais um ponto irônico e irreverente da canção. A música não diz que está tudo em paz. Não simplesmente omite o verbo de ligação. Mas sim, um ar de “tudo está sob controle”. Até aqui, o texto foi escrito de forma indefinida, na terceira pessoa. Porém, já no próximo verso, um eu entra em cena para afirmar a condição de paz como controle de um poder sobre os demais membros da sociedade, mais à frente sendo representado por “patrão”, ou seja o chefe. Ao dizer que “na morte eu descanso”, esse “eu” afirma que enquanto vivo não tem descanso, tornando possível a interpretação, por um sub-entendido, de que na vida ele não tem sossego. A própria definição de descanso denota a morte. Ainda há, no senso comum a máxima “descanse em paz” para as pessoas que estão prestes a morrer. Outra vez o operador “mas” entra em ação em mais uma demonstração irônica de irreverência: apesar de morto “o sangue anda solto / Manchando os papéis e documentos fiéis / Ao descanso do patrão”. Esses versos nos remetem a vários sentidos, os campos semânticos das palavras escolhidas podem nos levar a vários lugares, nessa extraordinária polissemia, no país onde a impunidade é tão comum que virou “via de regra” podemos interpelar o último verso como norteador: a diferença do descanso do “eu” em relação “ao descanso do patrão”.

Esse não morre para ter uma vida tranqüila, mas mata, tanto que o sangue daqueles que morreram marcam seus fiéis documentos. Mas quais documentos e papais serão esses? Se julgarmos pelo que temos de informação na letra, poderíamos supor que os documentos fiéis ao descanso do patrão seriam as páginas da constituição que ninguém respeita, mas que, infelizmente, é utilizada para legalizar algumas “falcatruas” dos poderosos em depreciação do povo brasileiro. Tanto que documentos também são feitos de papéis, mas aqueles não quaisquer papéis, são documentos, importantes para o país, que são fiéis ao patrão, àquele que é dono, que manda, que é o chefe. Com esse ponto de vista, se forçarmos mais ainda a interpretação, levados pela linguagem metafórica, poderíamos supor que os “papéis” a serem manchados pelo sangue que ainda não morreu junto com o “eu” é o que cada um representa na sociedade. Cada cidadão tem seu papel, professor, policial, operário, jovem, idoso, político, artista... Todos são brasileiros, todos têm direitos e deveres regidos pela constituinte, mas que, quando um “eu”, que descansa depois de tanta sujeira, morre, ninguém se importa, tendo, então, seus “papéis” manchados, chamando assim, para todos a responsabilidade sobre todos.

Novamente o refrão, que depois de mais informações sobre a situação constitucional e cívica do país se questiona: “Que país é este?” em seguida, nos próximos versos, saímos da visão interna, de dentro do país para uma visão externa. Numa época que os países eram divididos em primeiro, segundo e terceiro mundo, a comicidade do arranjo frasal nos coloca mais uma vez diante de ambigüidades: “Terceiro mundo, se for / Piada no exterior”. Os países ricos são os do primeiro mundo, os pobres são os do terceiro mundo. Havia ainda os países do segundo mundo, que não eram tão ricos para serem do primeiro, mas tinham muito poder bélico para ser terceiro mundo.

E o Brasil? O 5º maior país do mundo, onde, juntamente com toda a América Latina, por mais de trezentos anos, enriqueceu a Europa, vivendo num sistema de ditadura militar (hoje não há mais uma ditadura militar no poder, mas há quem diga que ainda é uma ditadura), podemos ver a piada, de forma bem irreverente, como sendo o país incapaz de ser pelo menos “terceiro mundo”. É um dito engraçado para o exterior sermos terceiro mundo. Hoje não temos mais essa nomenclatura, não por deixamos de ser um país pobre do terceiro mundo, mas porque o segundo mundo deixou de existir. Os países ricos são os “desenvolvidos” e os outros “em desenvolvimento”. E novamente o operador “mas” entra em ação demonstrando a mesma irônica esperança de um futuro melhor “o Brasil vai ficar rico” vai deixar de ser terceiro mundo, vai deixar de ser piada no exterior, pois “vamos faturar um milhão”, como se um país rico precisasse apenas de um milhão de qualquer dinheiro para ser rico. Seremos isso “quando vendermos todas as almas / dos nossos índios num leilão”. Outra metáfora forte e realista. Jogando com as idéias, através do ato de fala desses versos, a letra apresenta uma piada para dar como solução do problema de sermos um país pobre e uma piada.

Durante toda a existência do nosso país, a saída de riquezas para o exterior foi consistente, permanente e notória. Aqui já temos uma noção de quem poderia ser o “eu” que fala na canção. Uma característica marcante nas músicas do Renato é ter mais de um eu, ou seja, suas letras são construídas por várias vozes, às vezes não sendo possível distingui-las. Nessa música temos dois “eus”. O primeiro, aquele que só descansa na morte, sendo coagido pelo patrão, que tem os documentos a seu favor. Esse pode ser a voz do índio brasileiro, mas não só aquele índio nativo, mas todos os cidadãos que são índios, vivendo em tribos, às vezes nômades (sem casa própria), às vezes brigando por seu pedaço de terra (os sem-terra), ou ainda aqueles que vivem (ou querem viver) como os brancos (as classes médias), mas não têm condições financeiras e culturais para isso, pois são aculturados de sua própria identidade vivendo uma pseudo-cultura brasileira.

Quando a primeira pessoa passa do singular para o plural, esse “eu” ganha outras vozes. O “vamos” e o “vendermos” se refere não só aos “eus” que povoam a letras, mas a todos os interlocutores da canção. Dos componentes da banda aos fãs, até mesmo aqueles que não ouvem e não conhecem a música, todos nós somos responsáveis pelo que já aconteceu, pelo que acontece e, sobretudo, pelo que acontecerá com o país. E assim, encerra a canção, com o refrão levando aos ouvintes a pensar que país é “este” e não “esse”. O elemento anafórico em questão nos remete a algo que está próximo de quem fala. Este que está próximo da gente, este que vivemos, não esse Brasil que é piada no interior e no exterior, mas este que está próximo de todos os brasileiros.

Além da letra irreverente, a canção possui um som caracteristicamente do rock’n roll. Já na introdução, quando os tambores vão aumentando de som e força, culminando um riff alucinante de guitarra e com gritos do Renato ao fundo, propõe pensar a violência que é não saber que país é o nosso. E provoca uma explosão de sentimentos que, pretende, levar os ouvintes a dar um basta na imobilidade e agir. Os efeitos proporcionam a sensação de se ter, durante os primeiros acordes, correntes sendo arrastadas, como se antes de prestarmos atenção aos fatos que a canção mostra, nos vemos imóveis e enclausurados na nossa ignorância. Ligando a irreverência do rock à atitude dos jovens. Demonstrando o caráter desse estilo musical, ou seja, o seu ethos, como nos lembra, da tradição grega, Wisnik: “(...) que os gregos chamavam o ethos da música: o seu caráter, um certo padrão de sentido afinado segundo seu uso, e que fazia com que algumas melodias fosse guerreiras, outras sensuais, outras relaxantes, e assim por diante” (WISNIK, 1999, p. 117).

Impulsionados por uma melodia guerreira, a irreverência da letra convida seus interlocutores à guerra contra todas as formas de discriminação e escravidão dos brasileiros. Para que após nos questionarmos “que país é este?”, nos espantarmos ao descobrirmos “que país é este!!” possamos construir um país que é este: uma nação brasileira.


(Texto de Marxwel Alves Pantaleão)



Marxwel Alves Pantaleão, formado em Letras Português pela UFES, é professor de português e literatura. Além de poesia, escreve contos, crônica e letras de música. Não se considera um poeta, mas sim um fascinado pelas letras. Gosta de Legião Urbana e todas as vertentes do Rock. No romantismo e no Simbolismo se encontra, mas flerta com o modernismo. Mantém um Blog na rede (www.marxletras.worpress.com) onde publica as Letras dele mesmo e de seus heterônimos (sim, ele gosta de Fernando Pessoa e se acha!). 


VILA VELHA. HOJE TEM MÚSICA ERUDITA, CINEMA E POESIA NA IGREJA DO ROSÁRIO. CONFIRA!


Mais uma edição do projeto Concertos na Vila acontece na próxima quinta-feira (27), na Igreja do Rosário, na Prainha, a partir das 19h30. A iniciativa conta com o apoio da Secretaria de Cultura e Turismo da Prefeitura da Vila Velha.
Entre as atrações desta edição do Concertos na Vila estão as apresentações de músicos eruditos que vão interpretar canções de filmes clássicos, como Cinema Paradizo, O Fantasma da Ópera, A Cor Púrpura, entre outros (leia abaixo repertório completo).
Além disso, o projeto receberá a Cia Corpo e Voz em um jogral poético homenageando nomes, como Andra Valladares, Horácio Xavier, Marcos de Castro e Valcema Rodrigues. Os atores Lú Gonçalves e Raphael Stein reproduzirão um trecho cênico do musical O Fantasma da Ópera.

Literatura e Música 

As escritoras Dalva Broedel e Fernanda Tatagiba também estarão relançando seus livros "A Sombra das Coisas Turvas" e "Poesia Es/ Caladas".
Já o contrabaixista Filipe Dias lança o seu CD “Nova”, também a venda no local. A pintora Catarina Zambe e o escultor Ailton Costa vão expor peças em uma mostra intitulada "Meus Pedaços". Além disso, os artistas plásticos Erminda Breda e Guilherme Merçon vão expor seus elogiados trabalhos.

Repertório
 

Soprano: Elise Verrísimo
Apresenta: Webber/Memory – Cats

Soprano: Natalia Hubner – Tenor: Ever Agueiros
Apresentam: Webber/Think of Me – O Fantasma da Ópera

Sopranos – Elise Verrísimo e Isabella Luchi
Apresentam: Schwartz/When you Believe – O Príncipe do Egito

Soprano: Isabella Luchi
Apresenta: Lee/Bella Notte – A Dama e o Vagabundo
 
Mezzosoprano: Priscila Aquino – Tenor: Ever Agueiros
Apresenta: Menken/Beauty and The Best – A Bela e a Fera

Barítono: Marcos Stefanni Rosa
Apresenta: L.Webber/The Vaults of Heaven – Wistle Down the Wind

Tenor: Ever Agueiros
Apresenta: Can you feel the love tonight – O Rei Leão

Mezzosoprano: Priscila Aquino
Apresenta: Schönberg/I dreamed a dream – Os Miseráveis

Soprano: Elaine Rowena
Apresenta: E. Morricone/Nella Fantasia – A Missão

Tenor: Renato Gonçalves
Apresenta: E. Morriccone/Se – Cinema Paradizo

Barítono: Marcos Stefanni Rosa
Apresenta: L. Webber/Music f The Night – O Fantasma da Ópera

Contratenor: Cláudio Modesto
Apresenta: Q.Jones/Rod Temperton – Miss Cellie’s Blues – A Cor Púrpura

Tenor: Marcos Vinícius
Apresenta: Harold Arlen/Over the Raibow – O Mágico de Oz

Soprano: Ignácia de Freitas – Barítono: Sérgio Elias Pavesi
Apresentam: L.W/All I Ask Of You – O Fantasma da Ópera 

Coral da Ufes
Apresenta: Edward Hawkins/Oh Happy Day – Mudança de Hábito

Barítono: Janeilson Mattos
Apresenta: C. Aznavour/She – Um lugar Chamado Nothing Hill

Filipe Dias e Cláudia Marques
Apresenta: Vinícius/Jobim – Garota de Ipanema (filme homônimo)

Coral da Ufes
Apresenta: John Lennon/All Needs Love – Simplesmente Amor

Tenor: Marco Antonio Cypreste
Apresenta: Webber/Love is Change Everything – Aspectos do Amor

Músicos convidados


Cláudia Marques (piano)
Norberto Fyn (violão)
Sérgio Elias (violino)
Filipe Dias (contrabaixo)


Artistas plásticos expositores

Catarina Zambe
Ailton Costa
Herminda Breda
Guilherme Merçon

Lançamento literário

À Sombra das coisas Turvas, de Fernanda Tatagiba
Poesias ES/Caladas, de Dalva Broedel

Lançamento de CD

Nova (Filipe Dias)

Varal poético

Cia Corpo e Voz

Intervenção teatral

Lú Gonçalves
Raphael Stein

Ballet

Ballet Ludmila Machado
Rebeca Freitas

SERVIÇO

Projeto Concertos na Vila


Data: Quinta-feira, 27 de junho de 2013
Horário: 19h30
Local: Igreja do Rosário, Prainha, Vila Velha


Texto: Fabricio Fernandes / Foto: Semcom


UFES. ESTUDOS CULTURAIS E PÓS-COLONIAIS: LITERATURA E VOZ SUBALTERNA.


O XV Congresso de Estudos Literários do Programa de Pós-Graduação em Letras (XV CEL/PPGL) será realizado nos dias 22 e 23 de outubro de 2013, na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), em Vitória. Em sua nova edição, trará o tema Estudos culturais e pós-coloniais: literatura e voz subalterna e a participação de vários pesquisadores brasileiros e estrangeiros.


FERNANDO PESSOA. QUARTAS NO TEATRO RECEBE A PEÇA "PESSOAS E EU".


Um espetáculo que propõe ao público uma reflexão sobre a existência humana utilizando poemas de Fernando Pessoa é a próxima atração do Projeto Quartas no Theatro da Temporada 2013. Com texto e direção de Margareth Galvão, a peça teatral "Pessoas e Eu" será apresentada nesta quarta-feira (03), às 19 horas, no Theatro Carlos Gomes. Os ingressos custam R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (meia-entrada) e podem ser adquiridos no dia do espetáculo, partir das 14 horas, direto na bilheteria do Theatro.

Ao alinhavar o texto da atriz e diretora Margareth Galvão aos do poeta português Fernando Pessoa e seus heterônimos, o espetáculo "Pessoas e Eu" incita a observação sobre a existência humana através do contato da autora com o poeta. 

Na peça, o “eu”, que representa a autora, dialoga em sonhos com o poeta e suas faces: Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Alberto Caeiro, interpretados pelo ator Edvaldo Júnior, em um ambiente onírico onde angústias e preocupações ganham vida. 

Sobre o Quartas no Theatro

Ação de difusão cultural da Secretaria de Estado da Cultura do Espírito Santo (Secult), a edição 2013 do Projeto Quartas no Theatro contemplou 26 grupos ou artistas para compor um variado cardápio cultural, que ocupará o Theatro Carlos Gomes até dezembro deste ano. 

Este ano, o projeto recebeu mais de 80 inscrições, sendo 14 de teatro, oito de dança e 61 de música. A escolha das produções foi realizada por uma comissão designada pela Secult. Além de agradar a um público amplo por meio de uma programação de espetáculos dos mais variados gêneros e estilos, e o valor das entradas ainda cabe no bolso do publico.

Ficha Técnica do Espetáculo:

Texto de Margareth Galvão com poema de Fernando Pessoa
Direção: Margareth Galvão
Produção: Edilamar Fogos
Atores: Edivaldo Junior e Margareth Galvão
Iluminador: Andre Stefson
Operador de Luz: Fabio Prieto (Convidado)
Operadora de Som: Milena Bessa
Contra-regra: Luiza Vitorio
Execução de Cenografia: Max Goldner 
Figurinista: Carol Borges
Fotografa: Tatiana Pezzin
Assessor de Imprensa: Délio Freire
Realização: Ekipluz de Teatro

SERVIÇO
Quartas no Theatro - Espetáculo "Pessoas e Eu"

Data: 03 de julho de 2013
Horário: 19 horas
Local: Theatro Carlos Gomes, Praça Costa Pereira, Centro - Vitória, ES
Ingressos: R$ 2,00 (inteira) e R$ 1,00 (meia-entrada). Ingressos disponíveis a partir das 14 horas do dia 03 de julho de 2013


quarta-feira, 26 de junho de 2013

GILBERTO GIL 71 ANOS

Gilberto Gil chega, hoje, aos 71 anos. Contudo, se é o baiano que faz aniversário, quem ganha o presente é você, leitor do Outros 300. Confira, na íntegra o DVD do 'Acústico MTV - Gilberto Gil'. Aproveitem!