terça-feira, 17 de dezembro de 2013

AS 50 MÚSICAS MAIS TOCADAS DE 2013

A Crowley Broadcast Analysis levantou as 50 músicas mais tocadas no ano no Brasil. O Outros 300 lista-as abaixo e aproveita e faz uma crítica acerca do cenário musical atual. Contudo, desde já, vale uma pergunta: Será que só eu que não conheço a música número um tocada no Brasil?

Por Sandro Bahiense

Crítica



Brasil: Um país sertanejo!
Ritmo está presente em 28 posições do ranking

Saiu a primeira lista com as músicas mais executadas nas rádios este ano e, admito, não me surpreendi com o resultado. Porém o que me estranhou mesmo foi o fato de um nunca ter ouvido a música mais tocada no Brasil, uma tal de 'Vidro fumê' da dupla Bruno e Marrone.

Não sou fã de música sertaneja, mas desconhecer a canção mais tocada do ano é sintomático: Ou eu não tenho envergadura para fazer essa crítica ou cada vez mais estamos utilizando outras mídias para escutarmos as novidades musicais. Prefiro me achar na coluna B.

Ainda assim valem algumas considerações acerca do ranking. Que, aliás, estou enrolando demais para apresentar. Ei-lo aí abaixo: (Se estiver muito pequeno é só clicar nele) 

top50crowley

O que é marcante é o fato da quantidade de músicas sertanejas incluídas na lista, 28 ao todo. Os campeões são Luan Santana e Bruno Marrone com 3 músicas cada. O famigerado sertanejo universitário parece já ter saído de moda, pois Michel Teló aparece somente na 11ª posição, enquanto Gustavo Lima é apenas o 26º.

Anitta e seu 'Show das Poderosas' talvez seja o exemplo mais claro da influência de outras mídias no sucesso de um artista atualmente, pois alguém discute o fato da música da funkeira ter sido o som mais ouvido no país neste ano? O funk, aliás, além de Anitta, foi representado por Naldo, colocado em 5º e 20º.

Algumas tosqueiras como as enjoadas 'Vagalumes' (4º lugar), 'Piradinha' (14º lugar) e 'Esse cara sou eu' (21º lugar), mostram que as novelas ainda ajudam muito na divulgação de músicas.

O rock, por sua vez, mostra-se cada vez mais distantes das rádios. Apenas 'Meu mundo novo' do Charlie Brown Jr. esteve na lista e isto, mesmo assim, impulsionado pelas mortes de Chorão e Champgnon. 

A crítica

O rádio já não é mais parâmetro absoluto para elencar os sucessos de um ano, mas sua influência é indiscutível. A predominância da música romântica urbana é inquestionável e parece-me ser duradoura e resistente a qualquer modismo. Daí o fato de Teló, Lima e outros já estarem caminhando ladeira abaixo, destino que Anitta e Naldo parecem seguir em 2014. 

O rock não se fez presente no top 50 e isto não me estranhou. Não há novidades no ritmo há muito tempo. Tanto que seus maiores destaques advém da galera que já está na estrada há mais de 15 anos. No mais, o rock insiste em não buscar falar a língua do povão, partindo para canais mais "sofisticados", por assim dizer, como a internet e/ou canais de rádio ou TV segmentados.

Essa distanciação não faz bem a ninguém, nem ao rock, nem à população brasileira que, com isso, fica cada vez mais refém dos modismos e da velha e manjada música romântica urbana (anteriormente chamada de música sertaneja) que, apesar de ter o seu valor, já cansou.

Nenhuma música de MPB? Que país é este?

Para quem que, assim como eu, não conhecia 'Vidro fumê', ei-la aí:

 

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